Saudade marcada em um lenço de seda

Fui criada na cidade de São Paulo, em que cheguei com nove meses de idade. Tenho na minha lembrança uma história ocorrida em 1954, na inauguração do Parque Ibirapuera. Morávamos na Zona Leste, exatamente no bairro de Vila Dalila, na Rua da Saúde, nº 4. Ali, a única condução que existia era o trem que passava na Vila Matilde, local bastante distante. Naquele dia, meus pais vestiram suas melhores roupas, deixaram os filhos, que eram sete, e foram para o Ibirapuera. Na volta, minha mãe estava muito feliz e trazia como presente, oferecido por meu pai, um lenço de seda que tinha em sua estampa pontos importantes da cidade.
Essa cena, de quase 50 anos, não sai de minhas lembranças, pois até hoje fico imaginando como eles conseguiram chegar, o caminho que fizeram, o transporte que usaram, talvez algum bonde, não sei. Mas gostaria de saber e fazer o mesmo caminho no aniversário de 450 anos da cidade.
Depois de muito tempo, mamãe perdeu o referido lenço e muito sofreu com isso. Talvez a história não seja importante, mas para mim é muito marcante. Tanto que sempre conto a todos. Meus filhos, às vezes, reclamam que conto a mesma coisa muitas vezes, mas eu não me importo.

Este texto foi um dos escolhidos para participar da publicação feita pela Associação dos Funcionários Públicos do Estado de São Paulo com o título "São Paulo de Muitas Letras" na comemoração dos 450 anos da cidade de São Paulo.

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