Dona Maria das flores

Toda sexta-feira um pouco antes do almoço, já do portão de casa, a gente conseguia ver dona Maria das flores vindo lá do final da rua, empurrando o seu carrinho de madeira. Quanto mais perto ela chegava, mais alto a gente gritava:
– Mãe, a dona Maria!
E mamãe vinha às pressas para o portão.
Dona Maria sempre vestia uma blusa preta, várias saias, uma sobre a outra, todas pretas. Amarrado na cabeça um lenço bem colorido. Era de fato uma senhorazinha portuguesa!
Tinha um sorriso largo e um jeitinho especial de falar:
– Ó, meninas! O que vão querer hoje?
E mamãe olhava surpresa para o carrinho sem saber entre tantas flores lindas, quais escolher! Olhava, olhava e então ia pegando palmas, cravos e rosas. Os seus braços ficavam repletos de flores. Era bonito de se ver!
A minha irmã Mê é quem normalmente dava o dinheiro para dona Maria, que o guardava num dos bolsões do avental, também preto.
E como num estalar de dedos as vizinhas vinham se aproximando e comprando mais flores.
Dona Maria se despedia prometendo voltar na próxima semana. E empurrando o seu carrinho, agora praticamente vazio, ia sumindo pela rua, de volta à sua chácara no bairro da Vila Olímpia.
Surpresa maior era entrar em casa e ver tudo tão florido!

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