Muito tempo atrás… Era pequena ainda, mas já me divertia na época do carnaval, lá da Penha de França, bairro em que nasci e vivi até 1996.
Na rua em que morava (Antonio Lobo), fazíamos o nosso carnaval de rua. Meu pai tinha um alto falante e uma caixa de som e acho que além do da Igreja de São João Batista e de Nossa Senhora de Fátima, era o único daquele pedaço que tinha um equipamento desse tipo. O lugar estratégico deste aparelho, na época do carnaval, era a varanda de casa que ficava no alto, e apenas ele e meu irmão podiam manuseá-lo. Era por lá que podíamos ouvir as músicas carnavalescas da época e consequentemente pular até cansar. A criançada das ruas Antonio Lobo, Padre João, Itaparica, Sete Lagoas, Betari, eu e meus irmãos, primos e até alguns pais vinham para o grande baile, que tinha começo e fim anunciado por meu pai. Para alegrar e enfeitar ainda mais aquela festa, havia muita serpentina e confetes que eram jogados lá do alto sobre a meninada, que se divertia pulando ao som das marchinhas, que ainda guardo na lembrança até hoje. Naquele tempo existia o lança-perfume, de metal e de vidro, eles não eram proibidos, tinham um cheirinho muito bom e serviam para espirrar nos amigos. Os usávamos com ingenuidade e não sabíamos do mal que poderiam causar. Assim, nos divertíamos muito naquele pedacinho do nosso bairro. Bem, nem sempre dava pra fazer uma festança desta lá na rua, mas aí a nossa saída era ir pro salão. Costumávamos freqüentar o Penha Palace e o Esportivo da Penha, claro que na matinê. Era uma delícia poder "pular o carnaval", termo que se usava na época, com garotos diferentes e que conhecíamos na hora da bagunça toda. Meu pai, junto com outros, estava sempre supervisionando o que a garotada fazia no meio do salão, que era dividido em partes e por faixa etária, cada grupo tinha seu pedacinho para bagunçar à vontade.
Outra época marcante lá na Penha de França, foi a dos desfiles dos Blocos Carnavalescos na Rua Padre João. Nesta época eu era menor ainda e morava nesta mesma rua, no número 212. Como era muito pequena, lembro que tinha medo de ver e ouvir tudo aquilo, acho que eram as máscaras e fantasias assustadoras, que somadas ao barulho acabavam me enchendo de medo… Depois, com o passar do tempo, os desfiles dos Blocos foram ficando mais bonitos, maiores e mais ousados, dominando as ruas, principalmente a Rua da Penha. As vilas da redondeza se agrupavam e faziam também suas apresentações, era gostoso e alegre ficar aguardando os Blocos passarem lá rua do meu bairro.
Foi assim… Na rua, no salão, com medo ou não, mas com a família sempre presente é que conheci o carnaval. Hoje ainda me emociono com as lembranças gostosas desta época.
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