A Avenida dos Bandeirantes e o Aeroporto de Congonhas (anos 60)

Os anos dourados da minha infância eu passei no bairro de Indianópolis, próximo ao Aeroporto de Congonhas. Da janela de casa eu via os aviões subirem e descerem na pista.
Nossa casa ficava na Rua Aratãs, quase esquina com a Guaicanãs, uma das poucas ruas asfaltadas da vizinhança, porque nela passava o Aeroporto-Perdizes.
Já meu amigo José Antonio, a poucas quadras da minha casa, na esquina da Miruna com a Guaicanãs, morava em rua de terra, pois ali não passava ônibus, além de ficar mais perto do "buraco".
O tal "buraco" veio a ser a Avenida dos Bandeirantes. Um barranco para descer, um matagal para atravessar e um morro pra subir, até chegar na cerca que protegia o Aeroporto.
Só que a cerca não o protegia de nós, moleques, que nos achávamos no direito de entrar, estimulados pelo fato do pai do José Antonio ser comandante da Varig.
Assim, furávamos a cerca e íamos "tentar" parar os aviões no peito… e quando não dava, fazíamos coisas mais prosaicas, como andar de bicicleta e caçar ratos no matagal do buraco.
Das minhas reminiscências infantis, hoje eu só enxergo o morrinho no qual está instalado o Aeroporto. E os ratos, nem esses devem ter agüentado o movimento da Bandeirantes…