Nas Represas

Garoto de Sâo Carlos, interior de São Paulo, passava férias na Represa Eldorado. Um parente me deixava (via Piraporinha – Diadema) na ponta da represa e através de um barco ligeiro íamos com o caseiro até uma mansâo, dessas de politicos famosos cuja prima minha administrava. Volume de água colossal, as mâos iam roçando a superfície das águas e a sensação era maravilhosa.
Já morando em Sâo Paulo, trabalhando num laboratório farmacêutico na Campos Sales, na hora do almoço, com um grupo de amigos, íamos a Represa Santo Amaro e ali lanchávamos num quiosque existente. A represa refletia o brilho de suas águas portentosas.
Muito tempo depois (já trabalhando no Rio) e tendo um dia de folga em São Paulo, aluguei um carro e quis ver de novo a Represa Santo Amaro. Encontrei com dificuldade o caminho que fazíamos e fui barrado no final, por uma portaria de condomínio elegante. Perguntei sobre a represa e o porteiro me disse:
– Ah, secou! Faz tempo…
Triste me dirigi para Diadema (onde realizava meus trabalhos em indústria de gases) e lembrei da represa Eldorado. Entrei no mesmo caminho que fazia quando criança, agora asfaltado e completamente cercado por edifícios. Bem próximo à curva que nos permitia vislumbrar a enorme represa qual não foi a minha surpresa ao ver o leito completamente seco e aterrado? Perguntei às pessoas que rodeavam o local e elas me disseram, meio chateadas:
– Ah, secou! Faz tempo…

e-mail do autor: [email protected]