Não sou paulistana, porém sei muito sobre as emissoras de rádio, por onde o som vinha perfeito, sem chiados, à minha cidade. Infelizmente hoje não consigo ouvir nada por ondas médias. Nada mesmo. Ou os rádios não são mais potentes como antes, ou algum problema atrapalha as transmissões. E por incrível que pareça, os rádios adquiridos hoje, além de caros, são fraquíssimos.
Saudades tenho das programações onde os locutores eram sérios e distintos. As brincadeiras eram leves e todos podiam ouvir, sem distinção. Se hoje sei muito de compositores é porque quando se tocava uma música se dizia o autor e o cantor. Com isso aprendi a associar os estilos das músicas com o compositor. Sempre gostei da música brasileira e com isso sei letras quilométricas do nosso cancioneiro popular.
Na Rádio Difusora, me lembro de um programa às 14 horas de nome Serenata da Tarde. O locutor era Brim Filho que dizia assim em seu início: “Serenata da tarde, uma sombra do passado, projetada pela música”, e ao fundo tocando Tardes em Lindóia, talvez com Dilermando Reis. Mauro Pires também fazia um programa de saudade na Tupi. Moraes Sarmento, ah meu querido Sarmento. Acompanhei o programa dele até o final, em qualquer emissora que estivesse. Ficamos amigos. Aprendi muito com ele sobre nossa música. Que saudade!
A Rádio Gazeta tinha 3 audições de música brasileira diariamente. Às 9 da manhã e as 3 da tarde, tendo como prefixo Aquarela do Brasil, do saudoso Ary Barroso. Tinha também o "titio" Pádua Reis, o Fábio Paulino, enfim. As novelas, os teatrinhos da Tupi/Difusora, com as vozes de Lima Duarte, Percy Aires, Lia de Aguiar, Guiomar Gonçalves, Luis Orioni, Norah Fontes, Domitila Gomes da Silva, César Monte Claro (a voz mais querida), Walter Forster… Enfim, todos eles de vozes que marcaram. Me lembro bem que na Tupi tinha o Teatrinho das 5 horas. Ali eram dramatizados contos, muitas vezes enviados pelos ouvintes. Como fundo musical "Missouri Waltz", linda valsa. Era patrocinado pelo Fontol comprimidos: "Compre Fontol, tome um comprimido e o seu problema estará resolvido".
Os jingles então… Me lembro de tantos que o espaço seria pequeno, mas um que me marcou muito era uma conga calcada numa música cantada pela Josephine Baker. Era das Malhas Marisa: "Compre agora, em Marisa, as mais lindas malhas de lã. Compre agora Malhas Marisa e não deixe para amanhã". Outra na voz da saudosa Dolores Duran: "Uma experiência nada mais me bastará para saber que Ave Cream é um produto formidável. Ave Cream tão saboroso, Ave Cream muito gostoso, Ave Cream tem qualidade que outros não tem". E por aí vai…
Também depois de muitos anos, já casada e mãe de 3 filhos, freqüentei por algumas vezes o encontro no Pateo do Colégio, onde com satisfação conheci muitos dos seus integrantes, chegando a doar discos raros. O Roberto Gambardella da Casa Lomuto me fez gravações raríssimas de sua coleção, em fitas. Através dele consegui ouvir de novo músicas que há anos não ouvia. Roberto Braga, com quem também me comunicava por telefone, me presenteou com gravações lindas de seus tangos. Ele também um grande fã de Francisco Alves. Outro amigo e fã, como eu, da voz do Orlando Silva, é o Toninho Passarinheiro, do Tatuapé. E o que conheci no primeiro encontro e com quem ainda hoje continuo a ter contato é o Ricardo Kondrat, grande fã e colecionador de coisas da Carmem Miranda.
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