Cheguei em São Paulo, em 1969, vindo do Ceará, para tentar a vida na Cidade Grande, São Paulo, que me ofereceu oportunidade de trabalho e estudo. Como a maioria dos nordestinos, trabalhei na construção civil (peão de obra) e estudava à noite. Naquela época, a violência ainda não era tão grande. Era o tempo da Força Pública e da Guarda Civil (a primeira, a quem todos respeitavam). O tempo passou, mudei de trabalho e continuei estudando até me formar em Direito. Certa vez, vindo ainda da faculdade (em 1980), com um fusquinha velho, um cidadão me pediu uma carona. Era um soldado da PM, fardado, armado e tudo. Pediu-me para que eu o levasse até sua casa (que ficava perto), pois o mesmo estava com medo de seguir a pé e sozinho. Dei-lhe a carona até sua casa, sem antes advertir-lhe de que não deveria andar fardado nem armado, pois já ouvira relatos de policiais que foram assaltados e perderam suas armas e suas fardas.
e-mail do autor: [email protected]