Às vezes, cerce de 2 vezes por mês, vou à Faria Lima, próximo à Praça Itália, no entroncamento com a Rebouças. Costumo chegar pela Av. dos Bandeirantes; costumo retornar pela Rua dos Pinheiros.
Ando por estes espaços – desde há muito tempo – mas agora os vejo de uma nova maneira, digamos, de uma maneira Loponiana (referência não tão clara a Mário Lopomo, claro). Antes, eu não sabia da traição (o porquê do nome traição); antes eu não sabia do “Cabeça de porco”. Antes eu não sabia de tanta coisa.
Ali, naquele quadrilátero onde nos primórdios de minhas visitas profissionais eu via apenas prédios (claro que as ruas arborizadas me fascinavam) e construções, hoje reparo nas pequenas alfaiatarias, nas casinhas encobertas por heras, nos becos. Nos restaurantes de um tempo que passou, nos velhinhos sobreviventes e seus suspensórios, nas árvores carcomidas, mas ainda verdes, sombreando ruas estreitas, passantes desatentos.
Sei que há em alguma insólita dimensão, algo que não entendo. E, este transitar por lugares que a saudade – minha que não vivi; de outros tantos que viveram – revisita, aviva e traz uma tênue esperança de que nem tudo se perdeu.
Penso assim, às vezes.
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