Certa noite fomos comer a deliciosa pizza preparada no forno de lenha da "Pizzaria 1012", Av. Liberdade, 1012. Estava quase toda a turma (com exceção das garotas, pois já passava das 22h). O dinheiro era escasso, mas bem contado, deu para saborearmos 2 deliciosas meio a meio: muzzarella e aliche. O Milton Miguel (Deus o tenha) estava sempre "duro" e ia de "bicão", mas no final era sempre quem mais comia, sob a complacência amistosa dos companheiros.
Depois da pizza fomos andando pela Liberdade e resolvemos fazer uma incursão até a rua Galvão Bueno, ali na Liberdade mesmo, no trecho conhecido como "Bairro Oriental". Éramos eu, Walter, Juca, Milton, Chiquinho, Iberê, Sylas, Flavio e Sylvio.
Entramos numa boite (inferninho) japonesa, cujo nome não me recordo. Tudo muito escuro, aqules balõezinhos vermelhos típicos; sentamos no chão, ao redor de um grande tapete. Mal entramos e deliciosas japonesinhas, de quimonos, foram sentando junto a nós. Eram as "recepcionistas", sensuais, delicadas como cerejeiras na primavera. Pediram que lhe pagássemos bebidas e nós, é claro, aceitamos integralmente a sugestão.
Música (japonesa) suave, doces carícias e tudo o mais; e as
japonesinhas pedindo bebidas e mais bebidas (sempre uísque importado). As danadinhas bebiam demais. Lá pelas tantas, cochichei ao Juca:
– Estamos fritos, como vamos pagar tudo isso?
O Juca(Juquinha) era esperto demais e tinha sempre uma saída pra tudo:
– Fica frio, Comando. Já manjei tudo, não vamos pagar nada.
Algum tempo depois, o Juca pediu o copo de sua japonesinha:
– Deixa eu tomar um pouco de seu uísque, brotinho…
A garota não quis deixar, mas o Juca, rapidamente, tomou o copo de sua mão, tomou um gole, gritando em seguida:
– Estamos sendo roubados turma, isso não é uísque, é chá…
Formou-se a confusão, o dono da boate, um japonês baixinho e troncudo chegou com um segurança e tentou nos intimidar:
– Xinhoro tomo, tem qui pagá…
Todo mundo em volta, bagunça feia, a gente estava assustado.
Menos o Juca, sempre dono da situação:
– Escuta aqui japa, você tá nos roubando, servindo chá e cobrando uísque. Nós não vamos pagar nada!
– Vô chamá poliça – retrucou o nipônico.
– É bom chamar mesmo, japa. Assim tu vai em cana por vender uísque falsificado. E tem mais, aqui somos todos "de menor" e você não devia ter deixado a gente entrar.
O japa fez um ar espantado, coçou a cabeça:
– Melhó vaimbora enton e non vorta mais aqui.
– Vamos embora, meus camaradinhas, – gritou o Juca – antes que
eu fique nervoso – completou, rindo.
Saímos ligeirinho… E lá fomos felizes rumo a nossa Travessa Carneiro, alegres, felizes com o desfecho.
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