Bom, eu sou muito apaixonada por Sampa… Infelizmente estou meio afastada… Estou morando em uma cidadezinha besta… Que nem merece ter o nome aqui…
Mas enfim… Às vezes, vou até São Paulo, só pra caminhar no centro… Ver se estão cuidando bem dele… Amo o caos do meio dia, as suas noites frias… Toda a sua geografia… E se conheço pessoas especiais, faço questão de apresentá-las à minha cidade… A todos os seus detalhes… Antes de apresentar à minha família… É engraçapo… Porque sempre se tem o que observar, o que conhecer… O cardápio cultural que ela nos traz… Olha, nem sei como explicar, é maravilhoso… Até escrevi poemas… Ah sim, sou fotografa, poetisa e faxineira, misturada como Sampa é…
São Paulo onde nasci
que jamais esqueci
o cheiro do asfalto com chuva
os prédios, linhas e curvas
automóveis, imóveis a seis da tarde
tardes quentes, meio dia que arde
pernas correndo, paradas…
no trânsito engarrafadas
pessoas belas, surtadas…
tranqüilamente assustadas
das janelas, tias que contam
a história de Sampa, remontam
aos sonhos de imigrantes
Anchieta, bandeirantes…
nessa terra de gigantes
onde a lei é a do mais forte
sobrevivência é sorte
ou apenas teimosia…
no Ó da Freguesia
a vida nunca é vazia…
no centro, miolo de tudo
praças, túneis, viadutos,
o metro de um ponto a outro
onde tudo fala o que é mudo…
zona leste enluarada
pizza, música animada
e a galera que com quase nada
faz da noite uma festança
esperando o fim de semana
e a segunda quase desumana
cobra cada momento
perdido no curto domingo
na obra, no cimento
nao há poema mais lindo
corre malandro! olha a hora!
olha a morena que agora
pega ônibus lotado
pra chegar do outro lado
da cidade e do caos
na terça, quarta… sexta…
você sempre encontra a feira
com coisas baratas e frescas
e no sábado, berimbau…
shopping center lotado
gente pra todo lado
mantendo o comércio local
nem precisa ser natal
eita São Paulo festeira
de sábado ate sexta feira
um sonho a mais não faz mal…
Este é meu poema… Eis meu sonho, eis minha cidade…
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