Comidas dos sitiantes de Santo Amaro

Santo Amaro, de muitas tradições, guarda também em suas memórias as comidas que alimentavam os caipiras de nossa amada terra. A simplicidade da nossa gente não afastava de sua inteligência o improviso na hora cozinhar. Começando pelos mais exóticos dos alimentos consumidos nestes rincões, temos a Içá, ou Tanajura, aquelas formigas grandes, de bumbuns avantajados. Para os antigos, uma verdadeira iguaria. Inspirado nos costumes indígenas, nossos antepassados assimilaram o costume e passaram também a comer esses insetos (alguns comem até hoje). Com essas formigas se fazia uma deliciosa farofa. Quando não, eram torradas com água e sal, servindo de aperitivo. E com cerveja gelada, melhor ainda! O pão era feito em forno de barro à lenha, ao lado das casas de seus moradores. Quando não era pão, era o chamado bolinho de vento. Esse bolinho era feito de farinha de trigo, água e sal, às vezes com um pouco de fermento. Tudo isso misturado era a massa frita em gordura quente, e estava aí o substituto do pão para ser saboreado com o cafezinho passado no coador de pano. O arroz com feijão estava quase sempre presente à mesa da nossa gente. Para variar, havia a sopa de feijão com macarrão, comida barata e substanciosa, normalmente servida no jantar. A carne, ou era da galinha ou de pato, criados no quintal, ou o leitãozinho, também alimentado domesticamente no fundo dos quintais. Quanto às verduras, eram todas produzidas em horta caseira, predominando a couve, alface, além de outras hortaliças, como a cambuquira, broto de abóbora cortado e refogado com tempero. Havia muita mandioca também. O milho verde era assado ou cozido. Do milho, havia o ritual de fazer pamonhas. As comadres se juntavam em torno de uma mesa, após colherem as espigas no milharal e passavam a tarde toda ralando as espigas e, ao milho ralado, juntavam o açúcar. Após, embrulhavam essa massa em palhas do próprio milho e ferviam em água, até tomar consistência, e tínhamos então as deliciosas pamonhas, feitas ao deleite de, não menos, deliciosas conversas. Destacavam-se nas festas os doces de abóbora com côco, as bananadas e o inesquecível doce de laranja. A laranja usada nesse doce era conhecida como laranja azeda, ou laranja de burro. Nos festejos juninos predominavam a pipoca, o pinhão, amendoim e a batata doce assada no tição da fogueira. Já me sinto faminto porque não vejo mais essas comidas em nossas mesas.

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