O Brás e as ostras de Cananéia

Na década de 50, na esquina da Rua Monsenhor Andrade com Gazometro, havia um bar, e na calçada, diariamente, ficava um senhor sentado em um banquinho de madeira tendo ao lado uma mesinha que servia de suporte a uma cesta de vime, repleta de ostras e pedaços de limão.
Era o Seu Domingos, um napolitano que trazia as ostras do Mercadão para vender naquela esquina, onde ficava das 10 até as 15 horas, quando liquidava o seu estoque mercadoria.
Muitas vezes, além das ostras, ele trazia para vender algumas fieiras de caranguejos ou siris, e quando isso acontecia era uma festa, pois os bichos estavam vivos, e a molecada da rua comprava os bichinhos para brincar com eles, como se fossem cachorros amarrados por pedaços de barbantes. As meninas fugiam em disparada, com medo da aproximação dos pobres bichos.
No cesto havia a inscrição: OSTRAS FRESCAS DE CANANÉIA, e em cima da mesinha, sempre ele trazia uma pequena tabuleta onde estava escrito:
ACÁ NISSUNO É FESSO (aqui ninguém é trouxa, no dialeto napolitano).

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