Outra vez o Brás

Me perdoem amigos se volto a insistir com o meu velho e querido bairro do Brás. O problema talvez é que com o avançar da idade as mais remotas recordações voltam á tona, e, com isso, olha o Brás aí outra vez. Mas quem pode esquecer dos Cines Universo, Roxy, Babilonia, Brás Politheama, Piratininga, Rialto, Savoy, Oberdan, Roma; do teatro Colombo, das cantinas 1060, Balila, do Lucca, da Zilda, do Brazeiro, do Marinheiro (que ainda existe), dos restaurantes Tiradentes, Garoto, Glória, Copacabana, Santa Cruz, da Confeitaria Guarany e seus maravilhosos marzipans. Saibam os senhores que os melhores pizzaiolos de São Paulo surgiram no Brás; quem provou uma pizza do Tiradentes ou do Santa Cruz não esquece jamais. No Brás existiam as maiores e melhores lojas, empresas e indústrias. Basta citar a Pirani, a Exposição, a Sensação Modas, Paschoal Bianco, Tepermann, a Sears, Lojas Americanas, Dizioli, Cinzano. Indústrias Matarazzo, Scarpa. O cachorro quente mais gostoso da minha vida comi nas lojas americanas -atravessando as porteiras do Brás em direção ao centro.
Do meu tempo de garoto no bairro impossível esquecer das lindas normalistas do IFEPA – Instituto Feminino de Educação Padre Anchieta – e da boa qualidade de ensino dos colégios Trinta de Outubro, Liceu Acadêmico São Paulo, Romão Puigari, Eduardo Prado, Santos Dumont, Sarmiento e tantos outros. Nasceram ou viveram no Brás grandes nomes da vida artística e cultural nacional, como Nelson Gonçalves, Isaura Garcia, Francisco Cuoco, Francisco Milani, dr. Drausio Varella, dr. Pinotti; artistas plásticos como Salvador Rodrigues, Oscar Pereira da Silva, Vergani e muitos outros; isto sem contar grandes nomes como Libertad Lamarque, Hugo del Carril, Francisco Alves, Orlando Silva, que se apresentaram no bairro. Sei que muita gente vai dizer que tudo isso é passado e os tempos são outros. Concordo; mas ninguém vai tirar de mim essas lembranças… que vêm acompanhadas do inesquecível sabor do pedaço de pizza do Tiradentes, do cachorro quente das Lojas Americanas, do picolé de limão (artesanal) do bar da esquina, dos doces da O Guarany, do macarrão da vovó; do “dem dem dem” das porteiras do Brás, ao fechar para a passagem do trem.