Eu tinha mais ou menos 14 anos e morava na Rua Catumby, 191, no bairro do Belenzinho. Não era um cortiço, era uma casa muito grande onde moravam varias famílias.
Mas, todos tinham seus quartos, cozinhas e banheiros.
Em um dos quartos, vivia um senhor italiano, sozinho, que fazia sapatos por encomenda. Seus fregueses eram homens ricos que quase sempre vinham de carro com motoristas.
Eu, nas horas que não estava na escola – no glorioso Grupo Escolar Maria Zélia – na vila do mesmo nome, ajudava o "scarparo" (sapateiro) no que eu podia, polia os sapatos, limpava a bancada onde ele trabalhava e varria o chão de tabuas largas.
Não ganhava nada, porém ele sempre consertava meus sapatos sem cobrar nada, embora ele raramente fizesse consertos.
Um dia, sem mais nem menos, ele me presenteou com um par de sapatos de puro cromo alemão que um freguês encomendara e não fora buscar, mesmo tendo pago pelos sapatos (vejam a honestidade: como ela já havia recebido pelos sapatos, achava que não podia vender para outra pessoa).
Final da estória, eu com uma roupas muito simples, calçava um par de sapatos marrom que fazia inveja a todos meus colegas.
Lembrando o Vulcabrás, ao contrário, a sola acabou e o couro continuava perfeito.
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