Falecido Brás

No começo do ano de 1964, tinha um irmão que morava na av. Celso Garcia, próximo ao meu bairro que era Vila Maria. Aos domingos todos se encontravam em frente ao restaurante "O Garoto" que era esquina com Celso Garcia e Bresser. Ali, com as calças grudadas das cinturas aos joelhos, para baixo, uma boca de sino, completando com uma botinha salto carrapeta, passávamos longas horas. Paqueras, encontros, tudo de uma forma muito saudável, a tarde no cine Universo, filmes do Elvis eram preferidos, pela quantidade de garotas no cinema, as filas eram imensas, e as tardes eram realmente festivas. À noite os bailes tinham o embalo de "Twist and shout", "é proibido fumar", etc. O Bairro do Brás era um bairro de uma rapaziada bonita e saudável que se reunia aos finais de semana em frente a este restaurante, nunca esquecendo de algumas travessuras. Os encontros eram normalmente marcados em frente a igreja São João Batista que a esquerda do outro lado da rua havia uma casa chamada "Pastificio Aracy", era uma casa de massas de todos os tipos. Lembro que em frente ao prédio do meu irmão havia, não sei se era uma fábrica, mas alguma coisa com o nome de "Anaconda" O pózinho mágico. Meu ônibus predileto era o Penha-Lapa, que afinal servia a todo mundo. Ali conheci um rapaz que quis comprar uma calça que eu havia trazido de Santos, e na época, não sabia de sua fama, que era a calça "Lee", este rapaz ofereceu um bom dinheiro por uma calça usada desbotada atrás e na frente das coxas. Costumávamos chamá-lo de Dias, era seu nome. Este bairro freqüentei alguns anos, até que um dia tudo foi ficando sem som e sem cor, talvez ofuscamento do brilho da juventude. Os rapazes sumiram, alguns cinemas fecharam e as garotas desapareceram. Porém guardo este período como uma página de ouro de um dos livros da vida.

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