E Deus respondeu: -"Eu fiz. Eu criei você"

Sou paulistana, nascida na Pro-Matre Paulista e fui criada no Planalto Paulista próximo a Igreja de São Judas Tadeu.
Lembro-me de cada detalhe de minha infância, das brincadeiras, as alegrias e a folia que fazíamos quando juntava toda a criançada para eventos fantásticos na corrida atrás de “capucheta”, tipo pipas (eram feitas de jornal), brincávamos de carrinho de rolemã, bolinha de gude, caveira de abóbora, etc. Não se assustem! não era eu um moleque e sim uma menina!!! É que tinha em meu irmão Nelson, meu verdadeiro ídolo. Ele era mais velho que eu 33 meses e para mim não existia exemplo melhor. Era bonito, forte, cabeça cheia de cachinhos tipo São João e acima de tudo meu melhor amigo. Organizávamos festas juninas na rua onde morávamos e convidávamos a todos os vizinhos e assim cada mãe levava uma guloseima, os pais as bebidas, outros preparavam o quentão, a fogueira queimava solta onde pulávamos o fogo e colocávamos as batatas doce e a festa acabava de se concretizar quando meu pai, sempre presente em todos os momentos de minha vida chegava com seu táxi depois de uma jornada brava de trabalho duro e nos presenteava com os fogos de artifício: chuva de prata, biribinhas e fósforo de cor. Gravei em minha memória a imensurável alegria que sentia ao acender e rodar os fósforos sempre em local bastante escuro (não tinha iluminação de rua) e admirava o colorido como se fosse um arco-íris !!!
Naquela época nos anos 60 e 70 existia respeito entre as pessoas, as crianças eram educadas, aprendiam a respeitar aos mais velhos, existia o romantismo, o cavalherismo, enfim, os valores eram outros. Tenho muita saudade de tudo isso.
Quando ainda criança certa ocasião Nelson encontrou uma cachorrinha abandonada e a escondeu em um terreno baldio e sempre íamos levar comida para a “Sapeca” que tanto fazia sentir-nos importantes pelas reverências que nos apresentava ao encontrar-nos. Era tanto agradecimento que até nos comovíamos por sentir-nos tão “competentes”. Só os animaizinhos fazem com que nos sintamos assim!
Curti a companhia dele durante 5 décadas de vida. Esse meu irmão querido faleceu em 2004 e ficaram gravadas em mim as infinitas lembranças da infância, adolescência e vida adulta, nossos casamentos, nossos filhos, etc.
Contei o "causo" da adoção da fêmeazinha pelo fato interessante que depois do falecimento dele não sei se pelo vazio que deixou em mim senti a grande necessidade de ajudar aos animais, aos quais sempre gostei e sempre tivemos em casa nossos amigos peludos.
“Olhei para os animais abandonados nas ruas… os renegados da sociedade humana. Vi em seus olhos amor e esperança, medo e horror, tristeza e a certeza de terem sido traídos. Eu me revoltei e rezei: – "Deus, isso é horrível! Por que o Senhor não faz nada a respeito?"
E Deus respondeu: -"Eu fiz. Eu criei você"
Atualmente tenho no interior de São Paulo, na cidade de Itatiba um terreno com 1600m2, todo cercado com alambrado e diversas divisórias onde abrigo 45 cãezinhos todos recolhidos das ruas. Faço o possível para ampará-los, pago pessoas para cuidar deles, têm assistência veterinária, ração e agrados comestíveis que levo religiosamente todos os finais de semana quando vou visitá-los, porém os pobres indefesos não tem carinho pois só consigo dar atenção para eles poucos minutos em cada baia. Mesmo assim é muito, mas muito gratificante esse meu trabalho porque penso que:
– Mesmo que seja uma coisa pequena, faça algo para aqueles que precisam de ajuda.
Deixo aqui meu recado para quem tiver um dia a intenção de ter um bichinho de estimação, um verdadeiro amigo(a) que entre em contato comigo e adote um peludinho do narizinho gelado e que te olhe com gratidão e admiração.
Pensem nisto…
"A felicidade não depende do que nos falta, mas do bom uso que fazemos do que temos.”

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