50 anos em São Paulo

Vindo do Rio de Janeiro, cheguei a São Paulo em 1960. Morei por mais de 20 anos na Rua Doutor Mello Alves, Cerqueira César. Brinquei muito no canteiro central coberto por árvores da Avenida Rebouças, que tinha apenas duas faixas em cada pista e ainda começava na Praça Dr. Clemente Ferreira, no cruzamento da Rua Dr. Arnaldo. Nos anos 70, com a construção do Complexo Viário Rebouças/Dr.Arnaldo/Consolação, a praça desapareceu.

Quando a duplicação da Rua da Consolação se completou, foi mudado o nome da rua no trecho entre a Alameda Santos e a Rua Estados Unidos, dando-lhe o nome de um padre. Os comerciantes e moradores iniciaram uma campanha que, em poucos meses, culminou com a volta do nome original, com direito à festa na rua, bandinha, bolo e foguetório.

Estudei no curso Primário no Colégio Castro Alves, na esquina das ruas Teodoro Sampaio e Alves Guimarães, imóvel onde hoje está o Curso Objetivo Júnior. No ano seguinte, 1961, fui para o Grupo Escolar Godofredo Furtado, na Rua João Moura (esta mesma rua, nos anos 70/80, seria transformada na Rua do Chorinho). Na esquina desta última com a Teodoro, situava-se a primeira loja da Camisaria Varca, especializada em roupas masculinas em tamanhos grandes.

Tomava o bonde para a escola. A Rua Alves Guimarães não tinha saída, começava na Rebouças e terminava logo após a Teodoro num barranco, em cima do vale onde hoje passa a Avenida Paulo VI. O único acesso para a Vila Madalena era o bonde que subia a Rua Fradique Coutinho e as Ruas Harmonia e Fidalga.

Às vezes íamos a pé, atravessando um caminho de terra por trás do Hospital das Clínicas (atual Rua Ovídio Pires de Campos), saindo da Avenida Rebouças e chegando ao começo da Rua Arthur de Azevedo, esquina da Oscar Freire, em frente aos portões do Grêmio da Faculdade de Medicina da USP.

Uma linha de bonde ligava a Vila Mariana com Santo Amaro, indo do Largo Ana Rosa seguindo em linha reta uma única rua, a então Avenida Conselheiro Rodrigues Alves, até o Largo 13 de Maio, aonde contornava a Igreja e retornava pelo mesmo caminho.

Neste acesso para a Zona Sul, o mesmo logradouro hoje tem três nomes: Avenidas Rodrigues Alves, Ibirapuera e Vereador José Diniz. Na época, a atual Vereador era apenas uma picada de terra no meio do mato, ligando Indianópolis com Santo Amaro.

Ainda na década de 60, no topo do Conjunto Nacional, na Avenida Paulista, foi construído o relógio luminoso que inicialmente era patrocinado pela Willys Overland do Brasil, fabricante do popular jipe Willys, daí o letreiro luminoso que exibia em cores alternadas palavras "Jeep" e "Willys". Com a compra da Willys pela Ford, o luminoso passou a apresentar apenas o nome "Ford". Por fim, veio o Banco Itaú e foi mudado para "Itaú".

Cinéfilo desde a adolescência, frequentei todos os cinemas da Avenida Paulista e proximidades: Trianon (depois Belas Artes), Astor, Rio, Center 3, os 3 Gazetas, os 2 Gemini (Rua Joaquim Eugenio de Lima,) Paulista e Paulistano, Top Center, Majestic, Picolino, etc.

No centro, havia a Cinelândia: Metro (com Tom & Jerry aos domingos), Marrocos, Marabá, Olido, República, Paissandu, Mônaco (onde assisti "O Rei e Eu" com Yurl Brinner), Saci, Oásis, Ipiranga, Windsor, Arizona, Comodoro (Uma Batalha no Inferno), Cinespacial (que de espacial não tinha nada). No Largo do Arouche, havia os Arouche 1 e 2. Dentro de Shopping Center, havia apenas os Iguatemi 1 e 2.

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