1909 – uma história de amor

Imaginemos a comemoração que foi ao iniciar um novo século, o século XX, e ninguém poderia imaginar as inúmeras conquistas que esse século traria para toda a humanidade. Invenções, criações, descobertas, chegada à Lua, transplantes de coração e tantas outras que nem podemos enumerar. Claro, houve guerras sangrentas, infinitas mortes e o homem querendo sempre mais poder. <br><br>O que mostramos é a estação de bondes na Vila Mariana. Nesse local, muitos encontros e despedidas e o curioso foi que nesse lugar uma jovem chamada Rose conheceu o seu grande e único amor. Ela indo para o colégio, lá pelas bandas de Santa Cecília e ele, um rapazote chamado Marcos, ia também para o colégio, mas para os lados da Praça da Sé. Os dois se encontravam diariamente, mas o recato e a timidez impediam os dois de conversarem e os olhos, esses sim, se encontravam e quando isso acontecia o rubor tomava conta dos dois.<br><br>Quando o bonde ia chegando, já se ouvia o barulho dos trilhos e o cobrador, com o dinheiro dobrado entre os dedos, esperava os passageiros subirem e ele tocava o sininho para o motorneiro seguir viagem. Dentro do bonde havia os comerciais pregados na madeira e a maioria dos passageiros já sabiam de cor:<br><br>“Veja, ilustre passageiro<br>O belo tipo faceiro<br>Que o senhor tem ao seu lado.<br>E no entanto, acredite.<br>Quase morreu de bronquite<br>Salvou-o o Rum Creosotado.”<br> <br>Veja esse outro anúncio:<br><br>“Esse nervoso irritante<br>Que não o larga um instante<br>Bem pode ser de sua vista<br>Por que a um oculista não corre<br>Da casa A Especialista?”<br><br>E não é que certa vez o Paulo entrou no bonde e começou a tossir, tossir até se engasgar e a menina então não conseguiu se conter, deu uma sonora gargalhada e olhando para o anúncio disse:<br>-“Tome o Rum Creosotado, deve ser bronquite.”<br><br>Desse dia em diante os dois iam sentados juntos e depois de alguns anos os dois se casaram, tiveram um filho que se chamou Creosotado.<br><br><br>[email protected]