Entre os meus amigos do meu bairro, meu Jaraguá, figurava um menino chamado José Ferreira dos Santos, mais conhecido pelo apelido de Zé baiano. Era o caçula de cinco irmãos e nasceu com uma deficiência visual.
Quando chegamos ao Jaraguá já fui me entrosando com a turma no jogo de bola, da escola e ia nadar nos córregos e represas que lá existiam.
Os irmãos do Zé baiano eram o Gervásio, Enéas, Tota e o Padre (apelido) que eu nunca vi na missa, e a única irmã, acho eu,ele nunca me disse que tinha, fiquei sabendo há pouco tempo pelo meu irmão que ainda mora no bairro. Nos tempos nossos, alem dos divertimentos já citados, existia o futebol de botão, a gente adorava.
O nosso Zé baiano, se deixasse, ficaria o dia inteiro jogando botão, ajoelhado no chão, cimentado e rústico que esfolava todo joelho da gente. O Zé, são paulino doente, recortava as figurinhas do álbum, colava no círculo do botão, dizendo que esse ou aquele era tal jogador. Todos nós fazíamos esse tipo de trabalho, ele narrava o jogo, tentando imitar os locutores da época, os mais famosos eram Édson Leite, Otávio Muniz, Fiori Gigliotti, etc.
Eu dava risada,quando ele narrava o joguinho, dizia o nome do jogador. Na época o time dele era o tricolor e contava com Póy, De Sórdi Mauro, Dino Sani, Gino e Canhoteiro. Quando ele utilizava aquele botão, que seria o De Sordi, ele dizia:
– “Bola com Dino, ajeita a pelota para o Maurinho, esse para De Sordi!”
O menino era fanático, quando ele ia citar o Canhoteiro,ele dizia Cuntero, não que não soubesse pronunciar corretamente, era o jeitão dele, criava alguma coisa diferente, como também imitar o Édson Leite dizendo:
– “Meu cronômetro marca meia hora de jogo, o placar no Pacaembu é 3×1, o São Paulo vence”.
Assim o nosso Zé nos divertia e se divertia também. Ele aprendeu a profissão de pintor de paredes com o irmão Enéas, fanático também pelo tricolor do Morumbi.
O nosso Zé, o nosso lateral direito, posição que escolheu para jogar o seu futebol arroz com feijão, assim com nós, viveu solteiro, andou amasiado com uma viúva, mas não foi feliz, acabou se separando. Os pais dele já haviam falecido, ele morava com um amigo nosso, sempre que aparecia no Jaraguá, o meu companheiro de cerveja era o Zé Baiano, ali nós relembrávamos nossos tempos de infância e juventude, colocávamos o papo em dia.
Em janeiro dei uma passada por lá, pra tomar uma cerveja com ele, o nosso amigo Gino me informou que nosso Zé Baiano sofreu um derrame cerebral e falecera há pouco mais de dois anos. Aquele sábado para mim acabou-se, perdi o meu amigo Zé Baiano.
Ô Zé, quem sabe a gente se encontra… Descanse na paz do Senhor. Até um dia amigo!
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