Você viveu nos anos 60/70

Se você viveu a sua infância durante anos 1960/1970, diga-me: como você sobreviveu?

Os carros naquela época não tinham cintos de segurança, air-bags, encosto para cabeça e outras coisas mais. Nós íamos no banco traseiro, soltos fazendo as maiores farras. E isso não era perigoso.

As camas tinham grades e os brinquedos tinham peças que se soltavam, ou eram pintados com tintas que continham chumbo ou qualquer outro veneno que poderia ser prejudicial à saúde.

As portas dos carros não tinham travas, nem tinham chaves os armários onde eram guardados os materiais de limpeza, ou remédios e quaisquer outros produtos de uso doméstico.

Nós andávamos de bicicleta para lá e para cá sem capacete, sem luvas, sem joelheiras, cotoveleiras, caneleiras ou qualquer outro tipo de proteção.

Bebíamos água de filtros de barro, da torneira, da mangueira e com qualquer vasilha, ou com as mãos mesmo, direto de uma fonte ou bica. Nunca tomamos águas chamadas minerais de garrafas que dizem ser esterilizadas.

Construíamos os chamados carrinhos de rolimã, e aqueles que moravam em alguma ladeira já asfaltada tinham a possibilidade de testar as suas máquinas em alta velocidade e usar os seus sapatos como freio e ver no final que ele já estava descalço. Se aconteciam desastres depois tudo era resolvido.

Íamos brincar na rua na condição de que ao escurecer voltássemos para casa. Não existiam celulares, os nossos pais não sabiam onde estávamos. Isto era incrível.

Tínhamos aulas pela manhã e íamos almoçar em casa, não recebíamos nenhuma merenda. Se porventura pegássemos piolhos, estes eram matados com o uso de Neocid em pó.

Braços engessados, dentes quebrados, joelhos ralados, cabeça lascada; nunca reclamávamos. Todos tinham razão, menos nós.

Comíamos doces à vontade, pão com manteiga, bebíamos bebidas com o famigerado açúcar e ninguém era obeso. Brincávamos sempre na rua e éramos super ativos.

Dividíamos com nossos amigos aquela guaraná, comprada na vendinha da esquina, gole a gole. Alguém morreu por isso?

Nada de videogames, computadores, câmeras em celulares ou outros brinquedos eletrônicos, só amigos! Quem não teve um cachorro amigo chamado Rim-Tim-Tim? Nada de ração, comiam as mesmas coisas que a gente quando sobrava. Banho quente, shampoo… nada disso! Levávamos ele ao quintal e, enquanto um o segurava, o outro, com a mangueira, o molhava e ensaboava com o sabão de lavar roupas e depois o enxaguava. Algum cão morreu por isto?

A pé ou de bicicleta íamos à casa dos amigos, entravamos sem chamar e íamos brincar. Nas escolas tínhamos bons e maus alunos. Os que não passavam simplesmente voltavam no ano seguinte a cursar o mesmo ano, repetindo para aprender o que não tinha aprendido então, tentar novamente.

Jogávamos bola no meio da rua, marcando os lugares dos gols com duas pedras. Se era perigoso nem sequer sabíamos, se não fossemos escalados para jogar simplesmente passávamos a ser torcida.

As nossas festas eram animadas por aquela radiola que tocava aquele disco de vinil por meio de uma agulha de diamante. Tinha luz negra e aquele refrigerante de groselha com maçã com o nome de capilé.

Tínhamos:

Liberdade
Fracassos
Sucessos
Deveres

Sabíamos como lidar com cada um deles e vivíamos bem. A única questão é: como conseguimos sobreviver?

Se você também é desse nosso tempo, fique feliz, chame seus filhos e conte a eles como era no nosso tempo.

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