Você é meu grande e verdadeiro amor II

Onde está a sua querida e gostosa garoa. Tal qual a velha Londres, que é identificada pela sua serração, você era identificada pela sua constante garoa, que a fazia fresca em todo entardecer e anoitecer.

Perdeste esta característica, mas não perdeste a beleza e nem deixaste de ser o meu verdadeiro amor. Você é linda pelos seus recantos, pelas obras maravilhosas que contém, pelo seu enorme coração hospitaleiro quer para os demais brasileiros como para os estrangeiros. Ah, que coração!

Como pode ser visto em meu sobrenome, as minhas origens não são locais, mas São Paulo recebeu os quatro imigrantes: alemães, suecos, italianos e portugueses, que um dia vieram para cá em busca da felicidade, que foi aqui encontrada para si e os seus descendentes, inclusive este brasileiro, paulista e paulistano.

Você é linda e amada, minha querida São Paulo, lembro de você desde quando, em nossa Rua Borges Lagoa, na Vila Clementino, não havia iluminação pública e asfalto nas ruas. O lixo era retirado nas casas em carroções cinza, com letreiro em preto em que se lia: Prefeitura Municipal de São Paulo, puxados por dois burros que até pareciam saber o percurso a ser percorrido.

Quando chegava o inverno, devido à falta de iluminação pública e com aquela deliciosa garoa, eu ia até a Rua Sena Madureira, ao ponto final do bonde nº. 47, para buscar a minha tia Esther, que vinha do seu trabalho, que era na oficina de costura ortopédica do sr. Ernesto e da sra. Magda, na Rua da Consolação, quase esquina com a Avenida Paulista.

Na volta para casa, como a noite era escura, vínhamos olhando o céu, que era todo estrelado por balões, já que as festas juninas se avizinhavam e, pela cidade ser pequena e desabitada, não eram proibidos.

São Paulo, querida, perdeste sua garoa, sua segurança, sua tranquilidade, mas nunca perderás o meu amor.

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