“Estrela das Américas, no céu azul, iluminando de norte a sul; Mensagem de amor e paz, nasceu Jesus, chegou o Natal: Papai Noel voando a jato pelo céu trazendo um natal de felicidade e um Ano Novo cheio de prosperidade. Varig! Varig! Varig!”
Esse, entre outros jingles da Varig, encantou minha infância, não só pelo anúncio em si, mas pela alegria que era “passear” no Aeroporto de Congonhas.
Ah… Que saudades dos tempos em que meu pai e minha mãe nos levavam pra “passear” no Aeroporto de Congonhas… Não éramos “ricos” pra poder viajar de avião, mas íamos para tomar um café e comer pipoca de um dos poucos carrinhos que fazia pipoca com amendoim, hum… E olhar os aviões decolarem.
Aquilo era digno de uma platéia, pois não era comum viajar de avião. E quando o avião desfilava pela pista, começando a ganhar velocidade, fazendo aquele barulho enorme e poderoso, formando uma ventania perfumada pelo combustível do avião que cada vez mais nos ensurdecia com seu ronco desafiador: parecia dizer-nos: estou partindo… Até breve…
E cada aterrissagem feita era como um prêmio por estarmos esperando… Apreciando aquele espetáculo de naves, majestades do ar, chegando pra nos alegrar. Fitávamos cada passageiro que descia por aquela escadinha, vista de longe, pois o prêmio ainda era maior, se houvesse uma pessoa famosa chegando ali; Não éramos fãs de ninguém, mas se houvesse uma celebridade, o passeio estava completo.
Jamais me esquecerei daquela época de infância em que as Companhias eram a Vasp, a Varig, a Pan Am, entre outras.
Não se falava em apagão aéreo, nem atraso nos vôos, ou em problemas com os controladores de vôo (quem eram esses?); Muito menos em acidentes.
Só sabíamos que era lindo voar, romântico decolar e aterrissar… E maravilhoso apreciar aquele espetáculo que valia o passeio de domingo à tarde, no Aeroporto de Congonhas.
Gostaria que cada um que teve ou ainda tem alguma participação nesse quadro que descrevo com tanto amor e carinho soubesse o quanto é importante para a aviação brasileira.
Cada um de nós ainda pode salvar a dignidade e o respeito que a aviação brasileira merece, pois cada um de nós, seja em qualquer profissão, atuando em diversos segmentos da sociedade, tem o dever de resgatar o amor e o carinho que há dentro de nós, como cidadãos, pela Pátria, com civilidade e caráter profissional.
Não se pode simplesmente criticar e esperar pra ver o que acontecerá em seguida. Precisamos ter compromisso moral com todos os envolvidos em cada fase que compõe um vôo doméstico ou turístico. Desde a comissária até o piloto; Desde o faxineiro até o atendente de balcão. Desde o controlador de vôo até o cargo de mais alto escalão do Governo.
Até mesmo o carregador de malas ou o passageiro que precisa chegar ao seu destino, sonhando com a inocência do romantismo de voar.
e-mail da autora: [email protected]