Desde que me conheci por gente, vivo o que me foi ensinado do orgulho que é ser paulistana. Por meus avós maternos, que muito contribuíram para esta cidade, participantes ativos da campanha Doe Ouro Por São Paulo, na década de 30, quanto das histórias e exemplos, vindos de minha mãe, que sempre foi uma fiel defensora e escudeira da metrópole.
Eu herdei o sentimento e a compreensão deste amor incomensurável e incondicional.
Porque a meu ver, se é ou não se é paulistano. Há os que amam e os que odeiam.
Eu, sempre preferi estar do lado dos que amam.
Também por guardar somente ótimas lembranças, até aos dezessete anos, quando vim para Curitiba, de onde nunca mais saí.
Alimento o desejo de voltar e resgatar, com a experiência que só a idade traz, o prazer de estar novamente incluída, inserida e definitivamente tatuada nesta minha amada cidade.
Tenho a mais absoluta certeza que dela meus pais não sairiam, não fosse a necessidade que papai teve de voltar às suas origens. Ele era paranaense, da cidade da Lapa, mas paulistano de coração, porque esta cidade que o encantou, que encontrou seu grande e único amor (minha mãe), que o recebeu e prosperou. Muito.
Há latente comigo essa "missão" de voltar. Não só para realizar meu desejo, mas pelo de minha mãe, avó e pai.
O que a mídia mostra é só as mazelas. A violência, a pobreza, o caos, como de qualquer outra cidade, inclusive – pasmem – a de Curitiba!
O lado positivo, o desenvolvimento, a preservação da cultura e da história, o progresso, as pessoas, o trabalho, a luta, são sumariamente descartados. Por quê?
Como jornalista, nunca compactuei com o item do ser imparcial. Não há como ser frio ao transcrever, redigir e emitir qualquer opinião, sem deixar escapar senão com gestos, algum sinal de expressão e entonação de voz, uma alegria, tristeza e descontentamento. Falo isso porque o jornalismo que pratiquei em toda minha experiência foi o de opinião.
Comecei também com máquinas elétricas, sem computador, nas redações. Onde ir a campo era sinônimo de suor e adrenalina na veia o tempo que fosse necessário pra se trazer uma boa notícia e, onde os furos eram realmente batalhados e uma conseqüência desta mesma busca por fatos novos. Hoje, apesar de toda a facilidade, qualquer pessoa pode exercer o papel do jornalista, sem nenhum sacrifício. Encontra-se tudo pronto na web. Copia-se e cola-se sem o menor constrangimento, o que o editor menos experiente e desavisado corre o risco de deixar passar.
Mas fechando esse enorme parênteses que abri, não sei direito ainda porque razão, reafirmo meu amor por esta cidade e não sossegarei até o dia em que conseguir retornar. É como se tivesse deixado algo por fazer. Um ciclo para completar. Devo isso a mim. Devo isso a São Paulo!
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