Vila Prudente, década de 60

Nasci e me criei na Vila Prudente. Nos anos 1960, contava com dois cinemas: o Cine Amazonas e o Cine Vila Prudente, magra opção de lazer para as famílias operárias, a maioria de origem italiana, portuguesa ou lituana.

Naquela época, utilizava-se o bonde 32, substituído pelo ônibus 25 da CMTC e, posteriormente, substituído pelo 468 (V.Prudente-Cidade) da Empresa Paulista de Ônibus. Lembro-me de dois motoristas, muito amigos dos usuários, o Sr. Luiz e um português chamado Sr.Abel, pessoas nobres e estimadíssimas de todos.

A Rua Capitão Pacheco Chaves possuía duas mãos de trânsito, e quem vinha da Rua Ibitirama era obrigado a contornar a Praça Padre Damião para acessá-la.

Pobre e feia, a Vila Prudente contava com um comércio estável de quatro panificadoras: a Flor da Vila, Machado, Paiva e Big Pão, além de uma torrefação de café chamada "Café Delícia", a Drogasil e a Drogapan, as casas de ferragens Dalson, Ari, Elétrica Nelson, Depósito de Materiais de Construção Nogueira e Magalhaes.

Havia dois córregos que cortavam o bairro: o Córrego da Moóca, hoje Avenida Anhaia Mello, onde, em 1969, foi encontrada uma cobra de quase dois metros; e o Córrego das Vacas, que vinha canalizado pela Rua José Zappi.

Além do Juventus, havia o Centro Esportivo Arthur Friedereish da Prefietura, o Clube dos Veteranos Brasil e o Buffallo, para prática de esportes. O Sharanga e o Juventus eram os salões de baile preferidos dos jovens da época, onde se podia dançar e namorar ao som das bandas da época, como os Pholhas, Porão 99, Light Refleccions, Sunday, Super Som TA, etc. E todo fim de ano o bairro era animado com uma banda financiada pelo Clube dos Logistas de Vila Prudente que assassinava músicas de Natal o dia inteiro pelas ruas.

Todos se conheciam, todos eram amigos, todos eram trabalhadores. Se era um bairro cinzento e pobre, na minha memória situa-se num lugar colorido e cheio de luz, da minha infância e juventude.

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