Lembro de uma São Paulo diferente e silenciosa, onde era possível ouvir o trem passando nos trilhos na estação Ipiranga, mesmo estando na Vila Zelina.
Tenho 42 anos, dos quais trinta foram vividos entre Vila Prudente e Vila Zelina, e isso "ao pé da letra", pois na rua onde eu cresci, de um lado era Prudente e de outro Zelina.
Era muito bom. Jogava bola e taco, que era chamado de maçaneta; passava o dia na rua, e minha mãe só trancava a porta na hora de dormir.
Para ir à Vila Prudente, era preciso atravessar um "pinguéla" de madeira sobre o córrego. Ficava ao lado da chácara do Japonês, onde havia um laguinho no qual, munidos de redinhas, podíamos pegar "Guaruzinhos", uns peixinhos pequenos e coloridos que devem ter entrado em extinção.
Que saudades quando, na época do Natal, passeávamos pelas ruas da Vila Prudente, sempre enfeitadas e iluminadas. Um "Papai Noel" em cada esquina. Hoje tudo perdeu o encanto, e o progresso trouxe uma beleza fria e a insegurança. No lugar das chácaras, hoje, tem uma avenida.
Uma vez fui passar uns dias na casa da minha tia, que morava na Rua Chamantá, muito próxima à Avenida Paes de Barros, e não conseguia dormir com o barulho dos carros que passavam na avenida, o que, perto dos dias de hoje, podemos considerar como silêncio.
Mesmo assim, digo que amo São Paulo e, principalmente, a Vila Prudente/Zelina.
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