Vila Medeiros – Saudades da minha infância

Passei a minha infância na Vila Medeiros, mais precisamente na Rua José Francisco Gomes, nº 15 B.

Tudo era simples, não tínhamos videogame, bicicletas, bonecas que fazem de tudo e parecem de verdade, nossas brincadeiras eram esconde-esconde, bola araz, corda, e as que mais gostávamos: beijo, abraço e aperto de mão, roda.

Era de manhã à noite. Nas férias ninguém gostava de viajar, queríamos mesmo é poder ficar na rua brincando, os meninos soltavam pipas (ou papagaio), como diziam na época, jogavam bola, que até hoje não entendo como dava certo, pois eu morava numa rua que era descida, e não era uma descidinha, era uma descidona mesmo. As meninas brincavam de casinha, com suas bonecas, muitas vezes de pano, que a própria mãe ou avó fazia, ou quando muito ganhavam de uma tia uma relíquia de bonecas com rosto de porcelana.

Nossos medos eram outros. Na primeira casa que eu morei, mais lá embaixo, tinha uma viela, que uma vizinha já de idade teimava em dizer que tinha lobisomem, e que à noite de lua cheia ele se escondia na viela. Dormir pra mim era um terror, pois meu quarto ficava bem em frente a tal viela. Fora o homem do saco, essas coisas assim.

Natal então era uma maravilha, tudo simples, nada de tanta ostentação. À meia-noite, meu pai nos acordava (meu irmão e eu) para ver o que o Papai Noel tinha trazido de presente. Comíamos um franguinho assado, maionese, arroz, de sobremesa um manjar e gelatina. Refrigerante era guaraná, e naquelas garrafas pequenas ainda. E depois íamos dormir, para então no outro dia ir brincar e mostrar nossos brinquedos aos amigos. Ah, sem esquecer das nozes, panetone, e das castanhas.

O Natal tinha cheiro, tinha gosto, era uma data esperada ansiosamente, não pelo comércio, mas pelo significado mesmo. Os parentes tinham a maior satisfação das visitas, não tínhamos o costume de trocar presentes, o que valia era nossa presença mesmo, era uma obrigação visitar os avós, os tios mais velhos, mas era tudo prazeroso. Nossa, que saudades…

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