Como um “urbenautista” amador, (neologismo?), mas com voluntariedade e curiosidade e ainda mais por ser paulistano, fico muito interessado em nomes de bairros assim como nomes de ruas, o porquê dessa designação, afinal vivemos muitas vezes uma eternidade ali, acolá e não sabemos quem empresta o nome àquele logradouro, bairro e até cidade.
Sempre tive admiração por nomes indígenas para esses locais, assim como nome de santos e São Paulo, creio que tanto a cidade como o estado, é o que deve ter o maior número de designação de nomes em homenagem a santos e depois nomes femininos. É bonita, justa, essa homenagem a alguém e deve ser respeitada, pois algum mérito essas pessoas tiveram para receber tal denominação à via pública.
Nos quatro cantos da cidade temos os tradicionais bairros e os mais novos que sempre vão surgindo pelos fundões da cidade, queria ater a alguns nomes próprios e adjetivados que muitas vezes não faz jus ao nome que o empresta, como vila, jardim, parque, conjunto, que se verificarmos não tem nada a ver e não é só por causa da beleza e sim pelo desleixo dos moradores e das autoridades.
Sempre achei importante que fosse feito um livro completo com os nomes dos bairros e seus significados, a razão para ter aquele nome, apesar que os mais antigos conseguimos no Google e no site da prefeitura, mas a maioria e os mais novos não conhecemos. Tudo isso para falar do meu bairro que cito muito aqui, pois aqui praticamente nasci e conheço há mais de meio século, onde tudo era fundão, matão e hoje é um tipo de novo centro da cidade deslocado e que hoje faz jus ao nome, não integralmente ainda, mas avança para isso.
Na linha dos adjetivos, temos bairros como o meu, Vila das Belezas, e também Vila Formosa, Vila Bela, Jardins das Flores, Alto da Boa Vista, Jardim das Rosas, Bela Vista, há os bairros coloridos como Verde, Blanca, e bairros Limpo, Redondo, Grande, Pequeno, bairros com nomes de todos os apóstolos, que por um motivo ou outro ganharam esses nomes. Creio que essas belezas, formosuras, floridos, alguém batizou quando os lotearam com a beleza natural da época e depois de muitos anos a beleza se modificou, é mais artificial, com certeza.
No caso de Vila das Belezas. Esta situada na região sul do sudoeste, distante 15km do centro da capital, situado após a Ponte João Dias, primeiro bairro sentido Itapecerica da Serra pelo eixo da própria estrada de Itapecerica, foi loteado pela família Gazzotti, Aristodemo Gazzotti e sua esposa Perfecta Gazzotti, recém-chegado da Itália na década de 20, quando Santo Amaro ainda era município de São Paulo. A Vila das Belezas que hoje pertence ao Distrito de Jardim São Luiz e Subprefeitura de M'Boi Mirim tem como vizinho, ao seu lado norte, Morumbi, ao sul, Jardim São Luiz, ao leste, Santo Amaro e do lado oeste ,Campo Limpo.
Um fato a lamentar é o novo código de placas indicativas, onde os distritos estão em todas as placas de ruas omitindo o bairro e destacando só o distrito, isso dificulta o reconhecimento do bairro que muitas vezes é mais antigo que o próprio distrito, no nosso caso aqui na zona sul do sudoeste, o distrito São Luiz aparece em todas as placas de ruas como se tudo aqui fosse São Luiz e na verdade deveria constar o nome do bairro e abaixo o nome do distrito. Ainda hoje encontramos algumas casas, principalmente as de esquina, que tem a placa com o nome da rua, nome do bairro e do distrito que pertence, que no caso do nosso bairro era subdistrito de Santo Amaro.
A origem do nome Vila das Belezas é devido a sua localização, quando foi loteada, do ponto mais alto do bairro, onde hoje é a Rua Aristodemo Gazzotti, podia-se ver ao leste todo o bairro de Santo Amaro, Aeroporto e os prédios do centro da cidade, por isso foi dito pela esposa do loteador D. Perfecta Gazzotti, que disse:
– "Mio dio Che bellezza, la mia mamma.”
Quando se fundou a praça esportiva neste local, nos anos 40, campo do Vila das Belezas F. C., a vista expandiu-se mais ainda , chegava-se a ver as horas no relógio do prédio do Conjunto Nacional na Av. Paulista, isso nos anos 60. E a caixa d’água de Itapecerica da Serra, isso em noites claras de lua cheia. E os pousos e decolagem dos aviões no Aeroporto de Congonhas, também era lindo o pôr do sol neste ponto mais alto do bairro.
Era normal ouvirmos os roncos dos motores dos carros de fórmula 1 e outros em Interlagos, até os anos 90, pois estamos a 4km em linha reta do autódromo, hoje nada se houve pelas barreiras de concreto dos prédios, muros e trânsito local. A partir dos anos 1990, não sei se podemos falar o mesmo dessa beleza de vista, pois os prédios e sobrados tomaram conta do espaço, abrimos a janela, saímos na calçada e damos de frente com os paredões dos prédios, hoje a beleza é outra, se assim podemos dizer, com o crescimento do bairro tudo mudou, ficou tudo cinza. E assim creio que foi o mesmo com os bairros já citados com a adjetivação de belo, florido formoso, colorido.
Eis aí um tema para criar um compêndio das histórias dos bairros e seus significados, pois é estranho viver sem e ou desconhecer a identidade de onde moramos, quem foi fulano que leva o nome da rua, do bairro, da cidade, para isso louve o home page da PM-SP, denominado dicionarioderuas.com.br, onde pode ser pesquisado esses nomes de ruas, precisaria ser criado um de nome de bairros.
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