Vai graxa aí moço?

Final dos anos 50, Rua Antônio de Barros, Tatuapé.

Um garoto, "um engraxate" e lá vou eu subindo à Rua Guaraciaba, cadeira na cabeça, caixa de engraxate nas costas, esta era minha rotina aos sábados e domingos. A Rua Antônio de Barros, para quem não conhece, inicia na Rua Canta Galo e termina na Avenida Celso Garcia, perto do largo do Maranhão.

Esta rua, nos anos 50/60, tinha a porteira da estrada de ferro central do Brasil. Ao atravessá-la existia um pequeno largo onde havia um lindo bebedouro para os cavalos, pois ali era ponto dos carroceiros. Na esquina uma padaria, e era ali que eu punha em prática minhas habilidades de engraxate.

Muitas vezes era só um brilho, pois os sapatos eram brilhantes e sempre bem cuidados. Eu devia ter na época uns 11 anos e já buscava um dinheirinho para ajudar meus pais.

A Rua Antônio de Barros era uma rua já asfaltada com muitas lojas. Quando não tinha freguês eu andava pela rua olhando essas lojas e me maravilhando com os brinquedos que lá existiam, um olho nas vitrines e outro nos fregueses. Hoje tudo está mudado, a porteira não existe, o bebedouro, a padaria e aquele garoto…

Para atravessá-la, viaduto. Bebedouro só lembrança. Padaria, estacionamento, garoto, hoje um senhor de seus 62 anos, aposentado, casado há 38 anos, 3 filhos, tentando pôr via internet suas lembranças de uma época linda e inocente. Hoje quando passo nesta rua e nesta esquina me imagino nelas. Ainda bem que elas ainda existem!

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