União Portuguesa FC ou Portuguesinha da Vila Maria

Nasci em 1952 e minha infância foi baseada na União Portuguesa FC ou simplesmente Portuguesinha da Vila Maria. Meu avô, Antonio Ayres Cardoso, casado com minha avó dona Maria de Conceição (e só) foi um dos fundadores.

Lembro-me que no início, a sede era um barracãozinho de madeira na esquina da Rua General Mendes ou Rua da Prefeitura (como era conhecida a rua onde ficavam os burros e carroças da limpeza publica) e Alberto Byington na Vila Maria Alta.

Depois a Prefeitura cedeu uma área na esquina de baixo, Travessa Domingos Fernandes da Cruz com a Rua Ernani Pinto, rua em que meus avós e alguns tios moravam. O campo da Portuguesinha sempre foi no mesmo lugar, ao lado do barranco da Rua Belchior de Ordas e era de terra pura, nenhum fiapinho de grama.

Essa sede era uma beleza, salão de festas e bailes, palco teatral, duas quadras de bocha uma quadra de malha, quadra de futebol de salão e, como não podia deixar de existir, um bom boteco.

Aos sábados ficávamos eu, minha irmã (Cida) e os primos, o dia inteiro por ali entre a Portuguesinha e a casa da vó. A noite aconteciam os bailes e lá estávamos nós, pois meu pai (Zeca) tomava conta do salão ou seja, "desgrudava" os casais mais animadinhos. As vezes, aparecia a polícia ou o juizado de menores para dar uma batida, ai toda a molecada corria para o banheiro feminino pois eles não vistoriavam nesse lugar.

No domingo, logo cedinho, lá estávamos novamente, só que agora tinha jogo do Extra, que eram os mais velhos contra o Juvenil, que era a moçada. Eu nunca liguei muito para a bola, mas gostava do estar pelas redondezas do campo, ali, quase atrás do gol. Ficava o carrinho de raspadinha do Lazinho, seu irmão Cacareco e sua mãe, que não me lembro do nome. Não tinha nada melhor do que aquilo!

Eu ficava brincando na água que corria pela lateral do campo ou entrava por "uma passagem secreta" que saia nos fundos da casa da vó Cardoso, que logo oferecia uma coxinha de galinha, um pão com molho de macarrão, um “guaranazinho” com vinho. Acho que era esse o motivo de eu não gostar da bola.

Só para constar meu apelido era gordinho, botijão de gás, baleia, bolacha, entre outros, mas isso nunca foi problema para mim. Estive em vários campos de várzea e sempre interessado nos "arredores" (e não no interior do campo).

No domingo a tarde, havia uma espécie de programa de auditório "Torre da Esperança", onde havia um programa musical com cantores consagrados do bairro e um programa de calouros com músicos comandados pelo Seu Emílio (Violão) e os filhos (Afonso, Mi). Encerrava-se com um teatro comandado por Edílio Trevisan e seu grupo. Eu participei uma vez do programa de calouros e ganhei cantando a música “Bat Masterson” e também participei um pouquinho do grupo de teatro. Era muito bom!

Domingo a noite tinha mais bailinho e eu só ficava olhando como o pessoal dançava gostoso, tomando um “guaranzinho”, comendo um churrasquinho – pois ninguém é de ferro, mesmo depois de ter jantado a comida de minha mãe (Carmen).

As festas juninas da Portuguesinha eram famosas na região, o baile era na quadra de futebol de salão e havia conjuntos como “Os Águias” e o conjunto do Carlinhos, irmão do Mosquito (Luiz). Vários namoros aconteceram por ali como o da minha irmã Cida com o meu cunhado Murilo, que morava em frente ao Duque de Caxias, na Biquinha (e que na verdade chama-se João Francisco e fora apelidado de Murilo como é conhecido até hoje).

Bem, mas isso fica pra depois… Ou eu ou alguém completarão a história.

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