Loura, cremosa, crocante, adjetivos não lhes faltam, companheira fiel de todos os momentos, está presente em todos os bairros, em vários pontos da mesma rua, nos altos, nos baixos dos prédios, você nem precisa ir atrás dela, um simples chamado, e ela vem ao seu encontro, bem vestida, quente, para satisfazer seu mais compulsivo desejo. Sua popularidade não vulgarizou-a, seu caráter continúa imaculado, ela é a mais desejada no planeta terra. Verdadeiros templos foram construídos para a sua adoração, mas é a noite que ela é mais procurada, sob iluminação intensa, a meia luz, informalmente ou não, ela é rainha dos instantes alegres e cordiais. Estou lhes falando de um tempo que ela era exposta núa sobre os balcões e você a comia aos pedaços, suculenta, às vezes escorria pelos cantos da boca seu suco denso e cremoso. Pessoas se dirigiam aos templos mais badalados para consumi-la com todo o ritual que o momento requeria. A minha primeira vez foi no Franciscano da Libero Badaró, depois vieram: Gigetto na Nestor Pestana, lá você a comia olhando os rostos das beldades do Teatro e Cinema, como Cacilda Becker, Tônia Carrero, Eva Vilma, Ilka Soares, Odeta Lara, Maria Della Costa entre outras; Speranza na 13 de Maio com suas interminaveis filas de espera, Zi Tereza na Consolação; as cantinas do Brás com seus varáis de queijos, copas, salames, em especial falo daquela cantina da rua Vasco da Gama que servia um vinho tão bom que acabou virando nome de rua em Sampa; Cantina 1.060 na Rangel Pestana, que tão grande era, várias confraternizações aconteciam no mesmo horário. Na terra da rainha Margherita a sua adoração alcançou o extremo do fanatismo quando construíram uma torre feita de discos, e da altura que se enxergava o mar, uma multidão entusiasmada em uníssono exclamou sua admiração, muito forte foi, abalou a torre, mas ela resiste, embora pendente. Bem, acho que do seu tempo, eu muito ocupei, e agora que me chamam para o jantar, adivinhem o que sera servido? Hoje é sabado né! Então…