Una storia di gente senza storia – Cristofo Colombo

No começo do ano de 1895, o padre Giuseppe Marchetti acompanhava um grupo de imigrantes italianos que se dirigiam para o Brasil.

Durante a viagem de navio, uma jovem esposa morreu deixando seu marido desesperado com um bebê no colo, que de tão perturbado ameaçava-se jogar no mar.

O padre então assumiu a responsabilidade de cuidar do menino e, ao desembarcar no Rio de Janeiro, com a criança nos braços, procurou de porta em porta uma família disposta a cuidar dela até que finalmente conseguiu.

Decidiu vir para São Paulo onde se dirigia uma grande parte da corrente imigratória e construir um orfanato para os filhos desamparados deles.

Já em São Paulo, procurou os conselhos de um jesuíta que lhe prometeu falar com um certo senhor Dr. Vicente, conhecido como homem rico, católico, de muitas posses e também muito caridoso.

Certo dia, o missionário pegou um bonde para visitar um terreno que lhe havia sido indicado como adequado para o seu orfanato, mas durante o trajeto percebeu que faltava o dinheiro da passagem, então aproximou-se de um passageiro explicando o motivo da viagem e este o desaconselhou a estabelecer-se naquele local, pois era desprovido de água e se dispôs a mostrar um outro, num lugar belíssimo, localizado no Ipiranga, com muitas árvores e uma fonte natural de água.

Passagem paga pelo desconhecido, os dois dirigiram-se ao local e o missionário não conseguia conter sua satisfação ao percorrer o lugar entre seu bosque sombreado e o riacho da mina de água límpida.

O acompanhante vendo a alegria o missionário pergunto-lhe:
– "Agrada-lhe o lugar? Pois bem é seu. É um presente".
Era o Dr. José Vicente de Azevedo.

O orfanato nasceu assim envolto em mistérios e em pouco tempo já possuía 80 crianças. Com o passar dos anos, não mais abrigava filhos de italianos emigrados mas sim a todas as crianças desamparadas que necessitassem de proteção.

Localizado na Rua Dr. Mario Vicente, 1108, foi o local onde o nono trabalhou como porteiro e eu guardo com carinho particular uma cópia do contrato de trabalho onde consta na folha 61, n° de ordem 65, admitido em 1 de abril de 1945 e términoo em 31 de abril de 1958, com anotações de férias, salário, etc.

Quando ia cuidar do roseiral no terreno do orfanato, junto com outro padre seu amigo, eu o seguia, mas ele andava muito devagar devido a um problema na perna, sempre com calça de tergal, camisa branca de colarinho, bengala, chapéu e é claro suspensório.

Naquela época eu morava no porão da casa do nono e a nona fazia o macarrão caseiro e a polenta (gente dal nord).

Um dos irmãos do meu pai casou-se com uma Marchetti; meu pai ainda vive na região e eu trabalho com crianças doentes ha quase 30 anos.

Sem dúvida esse orfanato dá o que pensar.

Salute per tutti.

E-mail: [email protected]