Uma piscina acolhedora

Nos primeiros anos da década de 50, em uma linda casa nos alto de Perdizes, ao lado de uma linda piscina, aos finais de semana jovens estudantes e intelectuais se reuniam para montar um grupo de teatro amador. A dona da casa era uma simpática jovem de origem judaica, cujo nome não me recordo. O grupo era orientado e dirigido por Antunes Filho que nos preparava para encenarmos o clássico de Thorton Wilder: “Nossa Cidade”.

Antunes nos convocava para preparar um auto medieval, intitulado “Aucasin e Nicolete”. O grupo trabalhava para montar a peça, cuidando de tudo de maneira coletiva, desde a tradução para o português, estudando os costumes da idade media e criando os figurinos, baseados em ilustrações do medievo francês.

Faziam parte do grupo, entre outros: Flavio Rangel, Luiz Sergio Person, Wilma Kovezi, Claudio e Cecília Petralia. Deste núcleo, teve origem a montagem de textos clássicos do teatro transmitidos ao vivo pela nascente TV Tupi, diretamente dos estúdios para os primitivos receptores de TV em preto e branco. Os ensaios eram realizados no Prédio da Rua Sete de Abril.

Na segunda feira era lido o texto e nos dias seguintes era preciso decorar um capitulo por dia, no quinto dia havia um ensaio corrido e no sexto dia era gravado, e simultaneamente transmitido o “Grande Teatro Tupi” em horário nobre. Como assistente de direção, eu fazia o ponto, abaixado diante das enormes câmeras.

Marcaram-me duas peças: “Dias Felizes”, estrelada por Flavio Rangel, Person e a dupla Vivinha de Johnny e o texto russo “Senhorita Julia”, com desempenho dramático da dupla Maria Fernanda e Sergio Cardoso.

Os então amadores iniciavam suas futuras e brilhantes careiras com o verdadeiro espírito que impulsiona a todos nós desde a remota comedia de arte italiana com suas colombinas e polichinelos.

Vivemos dias felizes!

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