Uma noite no motel

Quando o motel era uma novidade em São Paulo, todos os casais de namorados nos fins de semanas iam terminar a noite em um motel.
 
Eu tinha um amigo, o Raul que era dono do motel Maitê na, Raposo Tavares, em São Paulo.
 
Eu também, como filho de Deus, fui no fim de semana com minha namorada; chegamos no motel, ficamos impressionados com o luxo, parecíamos que estávamos em um hotel 5 estrelas.
 
No quarto ficamos só observando a cama redonda, a banheira com degraus, um lindo espelho colado no teto, uma geladeira (frigobar). O quarto todo acarpetado era uma maravilha, só de olhar já valia a pena de estar no motel. 
 
Fomos tomar banho na linda banheira com sais de banho, eu caipira, de motel era a primeira vez; coloquei muito sais de banho, começou a fazer muita espuma; ficamos parecendo o homem das neves, tivemos que tirar toda a espuma embaixo do chuveiro.
 
A banheira ficou uma tampa de neve, era só sabão; eu, ao sair do chuveiro, levei um baita tombo, fez um barulhão. Minutos depois a recepção ligou para o quarto perguntando o que tinha acontecido, eu falei que tinha caído e que não era nada de mais.
 
Enfim, a linda noite de amor acabou eu com uma dor terrível nas costas. Só restou-me dormir de bruços.
 
Na parte da manhã, fomos embora. Quando eu fui pagar a conta do motel na recepção, a moça que estava no caixa deu-me uma barra de chocolate gigante e disse: “isso é para o senhor botar suas energias em forma”. 
 
Ao sairmos do motel, eu e minha namorada, morremos de rir, porque não houve noite de amor, houve sim uma noite de dor. Acho que pelo barulho que eu fiz ao cair no banheiro, eles, na recepção, devem ter comentado: esse quarto está uma brasa, está pegando fogo.
 
A minha primeira noite no motel foi um fracasso, mas depois eu fiquei freguês e sempre ganhava uma barra de chocolate gigante, para repor minhas energias. 
 
Foi uma época maravilhosa, sinto saudades dos tempos de solteiro. Mas, enfim, a vida é assim, ela continua.