Uma noite em São Paulo

Existem noites, raras, em que não tenho sono e sinto-me só. Geralmente elas são motivadas por um dia agitado, problemático e trabalhoso. Ao ficar cansada, sinto-me elétrica ou, quem sabe, ao sentir-me elétrica invento coisas para fazer.

A noite passada tive insônia. Estava inquieta!

Pensei em sair, andar. A noite estava fria… Os lugares vazios… Nenhum louco iria encontrar na rua, pensei espantada. Mas, o espanto desarticula a coragem e o pensamento. Desarticulado pelo espanto o raciocínio acende uma luz vermelha… Perigo! Já sei, não mais sairei!

O que fazer? Pergunto-me ao sentar-me no sofá da sala!

Folheio um livro… Sei que quando leio me divirto, conheço, aprendo. É tudo tão incomum, tão bonito! Nas páginas vou circulando porque ,quando se está "por fora", se faz mais necessário ouvir e ler coisas nossas e são as mais antigas que ganham novos sabores no distanciamento (que hoje tenho um pouco) da efervescência da cultura brasileira!

Considero tudo luminoso… Uma delicadeza, um lirismo nas noites de outrora… Gosto das histórias, das expressões que encontro e fico curiosa por detalhes que não estão, que faltaram.

Percebo que é dali que vem o que me fascina e surpreende pela vitalidade e beleza!

E o futuro… É algo que ainda está por vir, é o desconhecido, o acaso, a possibilidade de surpresas maravilhosas! Ou não!

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