Um velório nos anos 50

Não quero aqui ser mórbido, apenas contar um fato pitoresco ocorrido em um velório nos anos cinquenta.

Nessa época os velórios aconteciam nas casas, onde costumeiramente as mulheres ficavam na sala lamentando o finado ou, dependendo de quem era o morto, apenas conversando e os homens em frente da casa tomando cachaça e contando piadas.

Quando o cemitério ficava distante, alugavam-se carros de praça para acompanhar o enterro ou se ficava apenas a uns quarteirões iam a pé mesmo, com os homens fazendo revezamento para segurar as alças do caixão.

Eu tinha uns dez anos de idade quando fui com minha mãe visitar uma tia no Tatuapé, lá chegando havia um movimento anormal na casa vizinha. Era o um velório de um homem dos seus cinquenta e poucos anos que na década de 50 já era considerado idoso.

A família era conhecida por fazer alaridos nessas ocasiões, minha mãe foi com a minha tia e eu fui junto, tinha uma mulher que estava aos prantos, inconsolável:
– “Porque ele se foi… Não era ainda a hora de ele ir… Vou sentir muito sua falta… Porque você fez isso comigo… Que pena!”

Alguns tentavam acalmá-la, mas de nada adiantava. Minha mãe comentou com outra mulher:
-“Nossa, a viúva está mesmo inconsolável hein!" – e a outra respondeu:
-“Essa não é a viúva. É a cunhada."

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