Um personagem que "passou" por minha vida

Sou engenheiro civil, diplomado em 1964 pela Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie (EEUM). Escrevo sobre um dos colegas, Walter Augusto Winter, alguém que era "dono" de respeitável senso de humor. Ele serviu na Força Expedicionária Brasileira (FEB), que combateu na Itália, contra os nazistas, em 1944/1945. Retornando à pátria, ingressou na EEUM e foi trabalhar na Caixa Econômica Federal. Não sei dizer quais eram suas razões, mas o fato é que dava pouca importância aos estudos; anos e anos decorreram e o Walter não saía do primeiro ano.

Quando do ingresso da minha turma, em 1960, lá estava ele… Algo o motivou, não sei o quê, e ele começou a levar os estudos a sério e junto conosco recebeu seu diploma de engenheiro civil, em dezembro de 1964. Quarentão, bem apessoado, cabelos grisalhos, sempre elegantemente trajado, ia às classes dos calouros como se fosse o professor de Topografia e escrevia no quadro negro a lista de materiais que os bichos precisariam comprar; a tal lista, evidentemente, era pura insensatez. Lembro-me que a rapaziada precisava adquirir um azimute! Quem nada sabe sobre Topografia, e também não conhece o significado da palavra azimute, que consulte um dicionário!

Com o apoio dos companheiros ("nosotros que nos queremos tanto", como dizia o saudoso Vicente Leporace), principalmente do brilhante Vicente Antônio Geraldo de Stefano, ele chegou lá! Na noite de nossa formatura, quando o chamaram para receber o diploma, todos nós ficamos de pé, aplaudindo. Entre os eventos atinentes à conclusão do curso, houve um coquetel, em uma tarde de domingo, nos salões do Clube Homs. Os diplomandos fizeram-se acompanhar por familiares, namoradas, noivas e esposas. Eis que o Walter chega e com ele uma garota que aparentava ter entre 16 e 17 anos.

Todos sabiam que o Walter era divorciado! Então, quem seria a menina? Alguns foram dançar, entre os quais o Walter, de rosto colado! Surpresa geral! Após algum tempo o dançarino foi de mesa em mesa e apresentou a acompanhante: minha filha…

Os anos passaram, porém vez por outra alguns colegas encontravam-se, às vezes em reuniões profissionais, outras em acontecimentos sociais e até, infelizmente, em enterros e missas de sétimo dia. Em um desses encontros, fui o primeiro a chegar. O segundo foi um companheiro cujo nome vou omitir; digo apenas que seu apelido é Melão. O Walter foi o terceiro e ele era amigo do pai do Melão, médico, viúvo, dado a conquistas amorosas. O Walter, como sempre brincalhão, ao aproximar-se pergunta ao Melão: e o velho safado, como vai? Ouviu a resposta: O papai faleceu. Há ocasiões em que uma pergunta gaiata leva o perguntador a "tomar o bonde errado"! Ficaram as lembranças e as saudades.

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