Um paulistano homenageando a cidade

Faz dois anos, fui selecionado por uma produtora, a Grifa-Mixer, para participar do primeiro docu-ficção (um programa que mistura documentário com depoimentos reais e a ficção de atores interpretando personagens imaginários) sobre a cidade de São Paulo. O programa chamou-se "Europa Paulistana". Nele, entre os depoimentos de estrangeiros que vivem nesta paulicéia, atores representando quatro etnias diferentes interpretavam personagens falando sobre São Paulo e suas impressões sobre o município.

O meu personagem era um arquiteto e professor de arquitetura chamado Mário Giordano. Fiz os laboratórios entrevistando alguns dos depoentes, tive que estudar o sotaque e estar preparado sobre o tema da arquitetura paulistana, para dar uma aula para alunos de arquitetura da FAU-USP, sem que estes soubessem que eu era um ator.

Um mês antes, um professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo me apresentou como sendo o Professor Mário, arquiteto e professor, explicando que num dia próximo eu daria uma aula-palestra e promovendo um debate entre os alunos.

No dia marcado, quase um mês depois, fui até a FAU e bem cedo gravamos os meus depoimentos. Em seguida fui solto às feras para promover sozinho o tal debate. Depois de uma hora de gravação, o material da sala de aula estava pronto. Terminei esta fase do trabalho sem que os alunos soubessem da verdade.

Em outro dia saímos bem cedo rodando pela cidade, gravando os cartões postais onde eu caminharia em locais como o Hotel Unique, na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio, a Casa das Rosas e o MASP, na Paulista, a Praça da Sé, o Pátio do Colégio, a Avenida Ipiranga e a Sala São Paulo.

O "Europa Paulistana" foi um documentário feito exclusivamente para o Eurochannel e internacionalmente pela mesma emissora. Tendo uma única exibição especial pela TV Cultura no aniversário da cidade de 2007.

Me senti homenageando meus antepassados que viveram aqui e principalmente prestando uma especial homenagem à cidade onde nasci e que tanto amo

Foi realmente uma honra para mim.

Agora, passados dois anos, outra produtora (a Take-5) me convida para fazer parte de um outro documentário ambientado em São Paulo, cujo tema é a revolução de 24, o movimento que tentou a independência do Estado da União.

Fui chamado, primeiramente, para fazer o personagem do Major Miguel Costa, que se insurgiu contra Isidoro Dias Lopes, juntando-se à coluna Prestes, formando a coluna Miguel Costa-Prestes. Uma revolução que acabou envolvendo o Município de São Paulo, onde muitos na capital viram a morte de perto.

Em seguida resolveram mudar, pois eu poderia parecer mais com o Presidente de São Paulo (presidente, pois na época era assim que se chamavam os governadores) Carlos de Campos, filho de Bernardino de Campos. Justifiquei que não poderia pintar o cabelo, estou com a possibilidade de voltar à cena com um espetáculo (Trilogia de Alice) em que faço um banqueiro e tenho que estar grisalho, como exige o personagem. Uma tintura só sairia com o crescimento do cabelo e uma rinsagem demoraria, no mínimo, um mês para sumir, deixando manchas no cabelo. Só o faria se tivessem uma rinsagem francesa que usei durante umas gravações na Rede Globo do Rio de Janeiro, que no primeiro banho e com um bom "shampoo" desaparece totalmente.

Como certamente a produção não teria o produto, resolveram que eu deveria interpretar o General Isidoro Dias Lopes, que inicia a insurreição e combate ao presidente da República Artur Bernardes, e que depois de um tempo declara o retiro das tropas e se indispõe com Miguel Costa, que insistia na permanência da revolução. O que deu início à união Prestes/Miguel Costa.

Para interpretá-lo preciso apenas retirar a barba, deixando o bigode. Bem, minha barba cresce em apenas quinze dias e poderei voltar ao personagem da peça.

Mais uma vez recebo o convite com honra, pois falar desta cidade é algo que diz respeito a minha alma. Não importa o personagem, estou certo que o farei da melhor forma possível. Para tanto estou estudando a história a fundo e principalmente a biografia do personagem.

Assim, dentro de alguns dias (creio que quatro) estarei rodando o curta "São Paulo, Cidade Aberta". Quando estiverem lendo isto, certamente já terei terminado o trabalho. Mais um trabalho em que poderei mostrar mais um pouco dos personagens e da história que fizeram esta cidade e este estado.

Pois é, caros leitores, minha vida está intrinsecamente ligada à cidade de São Paulo e me faz reiterar aquilo que não me canso de repetir: São Paulo, eu te amo!

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