Como o tempo passa depressa! Parece que foi ontem que eu perguntei para o meu pai a sua idade, ele disse: “eu estou com 60 anos”, eu pensei com os meus botões: “puxa como o meu pai está velho, hoje eu estou com 72 anos graças a Deus”. Mas assim é a vida, ela continua, como dizem os jovens de hoje a fila anda, resolvi dar um passeio e visitar as ruas do meu passado.
Comecei pela Av. Paulista, tudo está mudado, hoje ela está alargada, só lindos prédios comerciais, bancos, muitas bancas de jornal, lanchonetes, a TV Gazeta, o Parque Siqueira Campos (Trianon) hoje ele está todo gradeado com lindas grades de cor verde. Bem diferente do meu lindo passado, quando tinham em cada ponta do parque duas lindas estátuas (parece que está no depósito da prefeitura), o Conjunto Nacional, está muito diferente, não é mais aquela galeria romântica, em que os namorados passeavam, hoje com muitos bares, lojas, etc. O lindo Cine Astor não existe mais, o famoso Fasano também não está mais, o Colégio Paes Leme e o Banco Safra, o hospital Instituto Paulista também não existe mais, só ficou o sanatório Santa Catarina, bem diferente, sua fachada toda mudada.
Passei pela Rua Augusta, subi e desci a rua toda, fiquei muito triste. Quem conheceu a linda Rua Augusta como eu conheci é de chorar de tristeza: toda suja, com pouca iluminação, os bares horríveis, até as prostitutas de uma pobreza total, garotos todos drogados pelos “cracks” da vida. Fui a Rua da Consolação onde eu nasci, também é de ficar muito triste, só lojas, bares, tudo comercial, não tem uma casa viva do meu tempo de criança, fui às ruas da cidade, 7 de abril, Xavier de Toledo, Conselheiro Crispiniano, Av. São João, a cidade está imunda de sujeiras, mendigos dormindo na portas das lojas, a cidade sem iluminação e uma escuridão total. Voltei com lágrimas nos olhos de tristeza e fiquei relembrando os lindos tempos da cidade, com os bondes, os lindos cinemas, os restaurantes, a cidade toda iluminada, com seus letreiros luminosos, enfim, o meu passeio pelas ruas do passado foi muito triste, sentei no velho sofá, liguei a TV e fiquei pensando: Deus foi muito bom comigo, eu vivi quando a cidade de São Paulo era maravilhosa, obrigado Senhor.
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