Paulistano de coração, meu pai abraçou esta cidade como sendo parte de si próprio. Inevitável vir à memória, especialmente nesta época do ano, as lembranças de tantos momentos vividos na cidade de São Paulo.
Desembarcou na rodoviária somente com uma mala e muitos sonhos e daqui jamais foi embora. Sofreu, lutou, venceu, perdeu, trabalhou muito, se refez, enfim, viveu como quem soubera que teria pouco tempo.
Como sempre dizia nos maus momentos: "Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima". Acredito que este era o lema de sua vida.
Dele herdei o amor por esta cidade e aprendi a ver os seus melhores ângulos. Aprendi que na diversidade encontramos nossas maiores forças e as mais verdadeiras alegrias.
Sinto saudades de caminhar com ele por entre as ruas do centro de São Paulo, de Santana, da Parada Inglesa, Paraíso, Ipiranga, Lapa, Alto da Lapa e Jaçanã e dos passeios que fazíamos com toda a família nas tardes de domingo.
A cada semana conhecíamos um bairro diferente, uma sorveteria nova, um evento cultural ou atração promovida na cidade.
Meu pai foi mais um habitante anônimo que viveu em São Paulo, porém, em nossas vidas teve papel principal e juntamente com minha mãe encenou uma linda história de vida e de amor à família e à cidade de São Paulo.
Quem conheceu o Sr. Pedro, da Goyana, da Same (Pirelli) ou da Sopetra sabe que ele fez a diferença nesta cidade.
Minha homenagem a ele e a todos os pais que lutam diariamente para sobreviver e viver nesta metrópole.
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