Um fim de semana em São Paulo

A gente se acomoda tanto que pequenas coisas como pegar um ônibus e ir para São Paulo se torna uma decisão difícil.

E me pergunto:

_ O que vou fazer lá?

Mas tomo a decisão e vou.

Daqui a São Paulo é apenas uma horinha.

E lá chego na rodoviária e me encontro com minha amiga de infância que vem me esperar.

Ela mora na Bela Vista, tomamos o metrô, e como não pago nada – que bom, pelo menos isso de vantagem na terceira idade.

Fui ao colégio Madre Cabrini, chegamos e qual não foi nossa surpresa ao encontrar uma irmã da nossa época.

Ela está com 80 anos e me reconheceu, ainda está na ativa, e é tesoureira do colégio.

Faz quarenta anos que nos separamos, ela mudou de nome, voltou ao seu nome de batismo, Zaira.

Perguntei por outras irmãs, algumas já faleceram, outras, bem velhinhas, freiras, vivem muito… Estão em outros colégios como minha mestra Madre Claudia, que hoje se chama irmã Eliza.

Lembrei de fatos como o dia em que hospedei um ladrão, ela riu muito, perguntei pela sua gastrite, disse que ainda tem, mas que está controlada.

Visitei a capela, que continua com o mesmo silêncio, os mesmos bancos, os mesmos vitrais, tudo como era antes.

E num momento me vi limpando tudo aquilo, correndo de lá pra cá.

Depois fui visitar a Vera, tão corajosa como antes vencendo as enfermidades.

E voltei com a promessa de que agora quando der, irei a São Paulo, porque lá a vida tem um outro movimento.