Passava, de manhã, na portaria,
Mergulhado em pensamentos vastos –
Absorvendo quase nada do que lia –
Revivendo os bons momentos gastos,
Quando, na calçada, quase no asfalto,
Ao virar-me, vi um passarinho
Caminhando firme, mas, incauto,
Certamente, longe do seu ninho.
Isto me causou um misto de espanto
E prazer, ao ver, ali, no canto,
Visitante que jamais se espera
No caos do trânsito da Furtado*.
Que paisagem! Que fulgor sagrado,
Quase no estertor da primavera!
*Rua Conselheiro Furtado
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