Tinha pouco mais de 20 anos, isto na década dos anos 60; após um dia de trabalho como escriturário em uma seguradora localizada na Conselheiro Crispiniano, ali bem perto do Mappin, e atendendo a dica de um amigo e como era uma sexta-feira, por sinal agradável, fui assistir a um programa de TV ao vivo, tendo como local a lendária Rua das Palmeiras, na Santa Cecília, outrora bucólica, o programa da Hebe Camargo, líder de audiência, apresentaria entrevistas e shows musicais com cantores de sucesso da época, entre eles Luiz Américo, este cantor de samba, aquele de “Camisa dez da seleção”…
Continuando, naquele tempo tinha eu o costume de usar o boné bem ao estilo do citado cantor e não é que eu era parecido demais? Tinha a mesma estatura, o físico, os olhos claros, um autentico sósia. Terminado o programa, tomaria então o caminho de volta e para minha surpresa, em todo trajeto da Rua das Palmeiras até o Vale do Anhangabaú, foi um tal de pedir autógrafo, na oportunidade não me manifestei me fazendo do artista, eram sorrisos, abraços, todos pensavam que era eu o tal cantor. O homem era ídolo mesmo.
Isto então não parou por aí, como estava com uns trocados no bolso, ganhados com um vale, pegaria um táxi e para minha angústia o motorista era fã condicional do artista, foi logo me pedindo autógrafo, dizendo que até sua esposa morria de amores pelo cantor, sabia este motorista todas as canções, só não me pediu para dar uma canja pois o trânsito ofereceria atenção redobrada; continuaria então com esta não esperada farsa até chegar ao destino final, meu lar. O cidadão não me cobrou a corrida, após eu tanto insistir, tamanha era a tietagem. Agora depois de tanto tempo quando escuto, desculpe seu Zagalo… me vem a lembrança que um dia fui sósia de um cantor…
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