Há algum tempo perdi meu emprego em São Paulo; até aí é “normal" na vida de quem é empregado. Pois bem, após dois meses, dei entrada no seguro-desemprego. Passados seis meses, comecei a procura do meu seguro para saque. Fui a várias agências da Caixa Econômica Federal e nada; sempre alegavam que não tinha nada. Até que numa agência da Caixa Econômica Federal em Osasco, detectaram que o número do meu PIS estava errado. O caixa mandou ir até o Poupatempo para corrigir o erro, isso depois de sete meses. Fui até o Poupatempo, disseram-me que não corrigiriam (mas foi lá que dei entrada no dito cujo). Mandaram-me para Rua Tiradentes, que é onde poderiam corrigir o erro…
Nós nunca podemos desistir e sempre temos de arrumar um tempo, pois no dia nunca dá para ir. Então lá fui. Lembro-me de ser o quarto ou quinto andar. Pega senha, senta, aguarda chamada, coisa e tal. Ufa, depois de uma hora, chamam-me, sento na frente do "cara safado, brincalhão" e me diz: “Qual problema?” Digo o número do meu PIS. “Está errado e não consigo receber já há algum tempo, sete meses”. Ele olha para mim e diz: “É, tem um erro: seu número consta aqui no computador com final 174, mas o correto é 171”. Fez brincadeira e depois disse: “O senhor tem que ir até a Rua Martins Fontes, Ministério do Trabalho”. Mais essa… (e ainda me chamou de 171; disse-lhe: “a família vai bem”).
Chegando depois de alguns dias nesse local, tinha uma enorme fila na calçada. Como sempre, aquela humilhação dos órgãos públicos, com direito a pegar senha, para subir sei lá quantos andares (perguntei ao guarda-segurança: “Será que vou ser atendido hoje?”). Pois bem, subi e peguei outra senha, pois cada um tem seu problema. Quando chegou minha vez de ser atendido, o "cara" pediu xérox do CPF, RG, Carteira de Trabalho, e mandou tirar tudo numa banca de jornal embaixo do prédio, na Rua Martins Fontes. Disse a ele que não tinha dinheiro nem para voltar para casa, que todos os meus documentos originais estavam ali e registrados no computador, que iria chamar a polícia e explicar o caso.
Com olhar irônico e com aquela boa vontade, resolveu tirar a bendita xérox e disse que talvez recebesse naquela semana. Disse a ele que queria receber tudo de uma vez (pois não tinha dinheiro nem para tomar um café); eram alguns meses de seguro-desemprego.
Já em casa, liguei para Brasília, fiz uma denúncia, falei tudo que acontece na Rua Tiradentes, Ministério do Trabalho. Dois dias depois, recebi um telefonema da secretária do diretor do tal ministério, para conhecer o prédio e tomar um café. Quase lhe xinguei; falei que só queria meu din din.
Ufa! Depois disso tudo, recebi meu seguro-desemprego total, graças a Deus (de uma só vez).
A burocracia nunca terá fim nesse país?
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