Nos anos 40, havia na Freguesia do Ó, na área da saúde, quatro profissionais conhecidos e praticamente os únicos da região: um dentista, Doutor Oscar Claro Cunha, a enfermeira Rosália, que atendia as pessoas na Obra Assistencial Nossa Senhora do Ó, e dois médicos clínicos gerais, os doutores Luiz Kensis e Vicente Zioni, este ultimo era parente do antigo deputado estadual Hermano Marchetti e sobrinho do ex-bispo de Botucatu, Dom D. Vicente Ângelo José Marchetti Zioni.
Eu e quase todos os moradores daquele pedaço central da Freguesia, éramos tratados e medicados por esses quatro profissionais, no bairro não havia hospitais então praticamente eles é que eram os responsáveis por praticamente todos os casos clínicos da maioria dos moradores do local. Só depois do ano 1955 começou a funcionar no bairro o atendimento médico feito por um Posto do Sandu, e que mais tarde virou hospital.
Um dia o Dr. Zioni, que era um gênio em matéria de diagnóstico, capaz de detectar uma doença bem antes de ter em suas mãos os exames laboratoriais do paciente, me contou uma história muito engraçada.
Ele disse que um dia foi procurado em seu consultório particular, que na época ficava no início da Rua Javoraú, por um paciente em desespero que chegou dizendo que não sabia mais o que fazer, pois estava soltando gases seguidamente; e que os mesmos não tinham cheiro e nem ruídos.
O médico, depois de acalmá-lo, pediu para que ele contasse calmamente o que o mesmo estava realmente sentindo, no intuito, é claro, de querer entender direitinho o que o estava acontecendo com aquele pobre homem, para deixá-lo estressado daquela maneira.
O paciente, já mais calmo, repetiu a história dizendo que estava soltando muitos gases seguidamente, mas sem ruído e sem cheiro.
O médico examinou o paciente, apalpou a barriga, tirou a pressão arterial, ouviu seus batimentos cardíacos, sua respiração e não percebeu nada de anormal. Então perguntou com que frequência a coisa estava acontecendo. O homem respondeu que era com muita frequência e para justificar ainda mais a sua preocupação acrescentou:
– Por exemplo, doutor, faz meia hora que eu estou aqui na sua sala nesse tempo eu já devo ter soltado umas quinze vezes, e como o senhor pode ver não tem cheiro e não fazem ruídos.
Em vista disso, o médico estão rabiscou a receita com aquela letra que só farmacêutico tarimbado consegue traduzir e depois de tranquilizá-lo entregou-lhe a receita dizendo:
– Fique tranquilo, o senhor toma esses comprimidos duas vezes ao dia e dentro de dez dias volte para um retorno de verificação, trazendo também um exame de fezes e de urina.
O paciente foi embora, dois dias depois voltou às pressas e sendo atendido pelo médico, meio as pressas, falou desesperadamente.
– O que o senhor fez comigo doutor a coisa piorou muito! Antes de tomar os comprimidos que o senhor me receitou não tinha cheiro, nem fazia ruídos. Agora não faz ruídos, mas o cheiro é horrível doutor, ninguém aguenta.
E o doutor foi rápido! – É isso aí meu amigo, seu nariz já esta curado, agora pelo amor de Deus, vamos tratar desse seu ouvido.