Hoje vou falar de um grande amigo de infância, fomos criados na Rua da Consolação, esquina da Alameda Jaú. O seu pai, Sr. Waldomiro, tinha um açougue na Rua da Consolação próximo à Alameda Santos.
Todas as noites depois do trabalho nos íamos paquerar as empregadinhas no Parque Trianon. Ele tinha um pequeno caminhão, todas as noites era uma festa, reuníamos no Bar do Bigode, bebíamos, comíamos pizzas, contávamos histórias. Depois de alguns anos ele tornou se ciclista, ganhou várias corridas junto com o famoso Claudio Rosa, campeão da 9 de Julho.
Mais tarde tornou-se mecânico de automóvel na oficina do Sr. Albino. Foi aí que sua vida mudou totalmente. O Mazzaropi foi consertar o carro e ficou impressionado com sua aparência: 1,85 de altura, corpo atlético, boa pinta e muito falante, e lhe convidou para fazer um teste no cinema.
Fez o seu primeiro filme, Jeca Tatu, e não parou mais de fazer filmes, num total de mais de quarenta filmes, novelas, seriados, Gerônimo, o Herói do Sertão. Foi convidado pelo Pelé para fazer um filme que ele dirigiu, Os Trombadinhas. Foi eleito, em 1972, o homem mais bonito do Brasil. E fez o papel principal em Um Certo Capitão Rodrigo, dirigido por Anselmo Duarte.
Ganhou vários prêmios, o diretor italiano Sergio Leone (de O Dólar Furado, com Giuliano Gema) queria que ele fosse para Itália para fazer um filme com Anthony Quinn. Não sei o que aconteceu ele sumiu da mídia, fiquei vários anos sem encontrá-lo.
Um certo dia eu estava na Rua Haddock Lobo quando escutei o meu nome. Eu me virei, era ele, totalmente diferente, não era mais aquele homem bonito. Perguntei onde ele andava, disse que estava morando em São Bernardo, conversamos sobre vários assuntos.
Depois de um ano, vi na TV que ele, o meu amigo de infância, tinha morrido de câncer, estava pobre, trabalhava como motorista de ônibus. Estou falando do Sr. Francisco de Souza, nome artístico, Francisco Di Franco.
e-mail do autor: [email protected]