“Billy, desculpe a franqueza, eu estou completamente apaixonada por você, apesar dos meus dezesseis anos, o amor floriu de maneira impetuosa, seu modo de ser encantou o meu coração, saiba, estava difícil esconder este sincero sentimento; se você não me aceitar irei muito sofrer”. Confesso, perplexo, que esta declaração espontânea me deixaria atordoado, pois eu era um “cara” maduro, volúvel, até certo ponto, tinha vinte e pouco anos e passado por fortes emoções, a diferença de idade seria obstáculo para levar adiante este romance.
Confesso que o olhar dessa garota era encantador, irreal, seu nome guardaria a sete chaves no coração. Corria solto o ano de 1963. Estamos juntos; eu a convidaria para dançar, senti no seu olhar esse desejo, era um baile de formatura. O Clube Pinheiros, em São Paulo, receberia um grande número de formandos, aliás, impecavelmente trajados; as moças em seus vestidos deslumbrantes e os rapazes nos charmosos trajes preto e branco, tudo era um sonho dourado, então, a música “Stranger in Paradise”, executada pela orquestra do maestro Silvio Mazzuca, rolaria solta no salão, dando um ar romântico ao ambiente.
Aquela declaração em plena dança fora feita; tinha essa garota nos braços, o seu lindo rosto colado ao meu embalado pelos acordes da canção; não me sentiria perdido nesse paraíso, tentaria evitar esta atração, mas não conseguiria, o perfume dos sedosos cabelos era algo de outra galáxia, não evitaria a carícia de suas delicadas mãos no meu pescoço e dos beijos roubados no calor da paixão; a malícia não se fazia presente. Era um encantamento.
O baile continuaria e a madrugada daria os seus lampejos, aconteceria a última seleção, finalizando com uma canção executada pelo cantor que, à propósito, era “Love is many splerond thing”, minha predileta; essa garota me chamaria para dançar, tinha ela novamente nos braços, nossos corpos tal a emoção rodopiariam no salão, não existia mais ninguém ao redor, o mundo, as estrelas, o firmamento existiria somente para nós.
Fim de baile, os sonhos momentâneos se desfizeram, o adeus, o até logo foi sacramentado com um beijo de despedida, cada um seguiria o seu caminho. Na despedida, sorrindo, eu disse: “Amanhã haverá outro baile, quem sabe a gente se encontra para reviver essa noite de um baile de formatura…
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