Tudo passa… Menos saudade

Saudade é a palavra que define as lembranças nostálgicas de momentos inesquecíveis acontecidos em nossa vidas, a maioria felizes, algumas vezes proveniente do pesar pela ausência de alguém que nos é querido. São situações que ficaram gravadas em nossas mentes originando a saudade que nunca passa. Como exemplos ilustrativos, cito a seguir algumas das principais situações que marcaram a minha já longa existência:

Sinto saudades dos meus oito anos, quando brincava feliz com malha, pião, bolinhas… Na rua sem asfalto onde morava: Rua Antonieta (atual Comendador Miguel Calfat) na Vila Nova Conceição.

Sinto saudades do caminho pitoresco que percorria para ir até o Grupo Escolar Aristides de Castro, no Itaim Bibi, onde aprendi o “bê-á-bá”.

Sinto saudades das histórias que vovó contava que originaram a poesia "História que vovó não contou", publicada neste site em 25/07/11.

Sinto saudades "daquela praça" (Pereira Coutinho), na Vila Nova Conceição, quando outrora havia um campo de futebol onde comecei as minhas primeiras "peladas" com bola de "capotão".

Sinto saudades de grandes jornadas no mundo do futebol varzeano, quando com 15 anos jogava no Tricolor da Vila Olímpia; com 16 no Sporting da Vila Nova Conceição e dos 17 aos 19 no famoso General Couto de Magalhães, também da Vila Nova Conceição, onde pendurei as chuteiras (ainda novinhas).

Sinto saudades dos balões juninos que enfeitavam as manhãs e as tardes com seus diversos modelos coloridos e depois iluminavam as noites frias de junho.

Sinto saudades do lança-perfume, do confete e serpentina dos carnavais de antigamente quando frequentava os bailes do E. C. Banespa na Avenida Santo Amaro.

Sinto saudades enfim, quando na juventude, vez ou outra brincava de poeta escrevendo alguns despretensiosos versinhos, como esses que seguem terminando esta história, ao qual dei o título de:

Tudo passa… Menos saudade

Tudo passa neste mundo
Passa tudo, toda desgraça
Passa o ódio mais profundo
Só a saudade não passa

Passa tudo pela vida
Passa o sol pela vidraça
Passa a hora mais "comprida"
Mas a saudade não passa

Passam contos mais profanos
Passa a beleza, a vaidade
Passa o tempo pelos anos
Só quem não passa é a saudade!

E-mail: [email protected]