Esta malfadada expressão ficou associada a escândalos, golpes, fraudes, deslizes, desmandos e tantas outras mazelas protagonizadas por nossos políticos. O corporativismo existente entre os homens públicos significa que ninguém é punido, a situação permanece igual e a população continua a ser tratada com descaso. Mas este espaço é para falar de fatos pitorescos. Então vamos à uma história que acabou em pizza, no sentido gastronômico, é claro. Há pouco mais de dois anos me mudei para um apartamento na região do Belenzinho, zona leste. O bairro fica encravado entre Tatuapé, Moóca, Brás e Vila Maria e é conhecido por abrigar aquela que foi, por muito tempo, a mais violenta unidade da FEBEM. Felizmente o complexo foi desativado e, em breve, vai dar lugar a um parque municipal. Uma das características do Belenzinho, e bairros adjacentes, é possuir um grande número de italianos. Quem não se lembra da imponente fábrica de alumínio da Família Matarazzo que ficava na Avenida Celso Garcia? Foi um dos marcos da presença do povo do país da bota.
Outro fato interessante é que a região abriga uma gama enorme de pizzarias. São várias, algumas mais simples, outras restaurantes refinados. Como já é sabido São Paulo é a capital brasileira da pizza com uma inúmera oferta de sabores e preços. Próximas à minha casa há mais de dez e ainda não tive tempo de conhecer todas. Num sábado à noite eu e minha família estávamos em casa e ninguém estava a fim de cozinhar então a solução foi recorrer às pizzas. Peguei os catálogos de algumas pizzarias, escolhemos aquela que parecia atraente pelos sabores e preços oferecidos e me pus a ligar. Por questão ética não vou mencionar o nome do estabelecimento. Liguei e como estávamos em oito pessoas pedi três pizzas. Quarenta minutos depois as mesmas foram entregues. Mesa posta. Pratos, copos, talheres, guardanapos e bebidas preparados. Agora era só saborear. Ataquei a calabresa, depois uma de champinhon, outra fatia de napolitana e por fim uma quatro queijos.
Tudo ia bem até que de repente senti algo estranho na boca. Aquela sensação de que havia um corpo estranho na pizza. Fui puxando um fio de cabelo enorme que deveria ter uns trinta centímetros. Naturalmente que meus familiares ficaram indignados e me pediram para reclamar com o gerente o ocorrido. Liguei e pedi para falar com o responsável. A medida que ia falando senti que o cara estava ficando super constrangido e envergonhado. Disse que havia pedido uma quatro queijos e tinham me mandado uma pizza de peruca. O gerente pediu mil desculpas, me convidava para conhecer a cozinha do estabelecimento e dizia que queria enviar uma pizza grátis. Eu falei que nada daquilo era necessário, mas de tanto ele insistir acabei aceitando não uma, mas cinco pizzas que foram devoradas com avidez por meus familiares. Enfim, tudo acabou em pizza.