Trem das onze

Pensando em um astro que represente a cidade de São Paulo e seus encantos mil, opto pelo compositor Adoniran Barbosa. O talento do escritor popular está presente nas suas poesias e canções várias, mas poder-se-ia traduzi-la em uma só canção: o Trem das Onze.

Ora como pode alguém tratar e retratar tão bem o resultado de sua boêmia, de filho solto, expressando sua preocupação com a própria mãe que não dormiria sem antes ter chegado? Era apenas argumento para dar vida as suas canções.

– Moro em Jaçanã. Se eu perder esse trem, só amanhã de manhã. Dá a impressão que perdera o trem e ficara toda a madrugada procurando o que fazer, para que chegasse o amanhã de manhã.

Adoniran imortalizou-se pelos sucessos de suas canções, canções essas populares que o povo aprendeu a cantarolar expressando a vida dura e difícil em uma cidade em que não dá para viver sem trabalhar.

Lembro de uma letra que mencionava: Posso até perder meu emprego, mas essa mulher eu não deixo não. Que música é esta? Adoniram retratava suas saudosas malocas, o trabalho em grupo, o que você trouxe para o almoço hoje, torresmo e farofa?

Denunciou o Moacir que era casado e tinha sete rebentos, anulando seu casamento quando o padre perguntou, em latim, se havia alguém que pudesse invalidar aquele enlace.

“- O quê que nós faz? Nós não faz nada!”

Se existia briga e confusão e a Polícia podendo chegar… não havia problema, pois as ambulâncias para lá iam chegar. Parceria com Vinicius de Morais? É a canção Bom dia tristeza, interpretada por Elis Regina.

Mas eu me reportava ao Trem das Onze. Não posso ficar. Não pode ser. Moro em Jaçanã… se eu perder esse trem que sai agora, só amanhã de manhã.

Adoniran era “o cara” irmão.

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