A travessa do Porto, (hoje rua Luiz Dias). Começava na própria rua do Porto (Leopoldo Couto de Magalhães Junior), e ia até a rua Heloisa (Avenida Juscelino Kubistcheck) Aliás, ela terminava no córrego do sapateiro, pois não tinha ponte e nem pinguela para atravessar para o outro lado, onde ficava o campo do Grêmio Floriano, um time de futebol presidido pelo seu Pedro, dono do bar que ficava na esquina da rua Heloísa com a rua da Ponte (Clodomiro Amazonas). Seu Pedro era um português fanático pelo Grêmio, e num domingo em que o clube da guarda civil foi lá jogar, ele esfaqueou um jogador do clube adversário, e fugiu. <br>Nunca foi encontrado, dizem que foi para Portugal. A travessa do Porto era o lugar ideal para se jogar bola por ser bastante sossegada, onde carros nem sonhavam passar. Quem tinha a bola era o Dudu, filho da dona Izolina, e irmão do Dondoca. Eles moravam na esquina. Eu, o Chico (Orlando), seus irmãos, Neno e Vado, filhos de seu Paschoal e dona Antonia, o Santino e José Léo, netos da chorenga, (dona Ângela) também para lá iam. Juntávamos com os Nacarelles, uma família de pintores que moravam na esquina do único quarteirão da travessa do Porto. Travessa da Ponte. Tano (Caetano) e André, formavam no time. Mas a gente não podia jogar ali devido à implicância da Mãe do Klianto um cara arreliento que tinha carro de praça. Um Ford dos anos 1940, com pneus faixa branca, bem limpo e brilhando de tanto ser encerado. Para não arrumar mais encrenca, que havia entre ela e as demais famílias que já vinham se engalfinhando, pelas fofocas que circulavam de que as irmãs do Klianto andavam com um monte de homens. Para não ficar ouvindo os gritos da mãe do Klianto, resolvemos sair de lá, se bem que o Nesão, que morava ali, disse que podiamos jogar, que ele garantia. Mas as nossas mães nos pediram para arrumar outro local, afim de evitar brigas. Então, fomos jogar na rua João Cachoeira, entre a rua do Porto e a Rua Heloisa, lá sim tinha a ponte. Na verdade, uma pinguela feita de madeira que tinha quando muito 60 centímetros de largura. Ali a coisa era outra. Alem da turma já citada tinha também o Adilsom, filho do seu Jacinto, que morava ao lado do terreno cheio de eucaliptos de propriedade do Mappin Stores. Seu Jacinto criava vacas, tirava o leite toda manhã. Servia sua família, que era grande e, ainda dava para a vizinhança. O Adilsom mais tarde abriu um posto de gasolina, e foi morto por assaltantes no próprio posto. Quando a bola caía para dentro da cerca da casa da dona Virginia, mãe do Dado, ela pegava a bola com um sorriso angelical e devolvia para a molecada. Depois autorizava a gente virar a tramela do portão e entrar para pegar a bola sem precisar fazer ela andar a procura da redondinha. Quando a bola estava com o capotão rasgado e um pouco descosturada, era o seu Fiore sapateiro quem quebrava o galho dando uns pontos ou passando cola nos rasgos. Ele mandava a gente passar sebo de boi para conservar ela por mais tempo. Também teve uma coisa. A travessa do Porto, ficou muito triste, com a morte de dona Maria Nacarelli, que era a mãe do Tano e do André. Foi numa madrugada de domingo. Aquele, foi o domingo mais triste que vi no Itaim. A radio América divulgando por várias vezes a morte dela e o horário do féretro, 16 horas, para o cemitério do Araçá. Já nos anos 1960 morreu o Dudu, que tinha tuberculose.<br>Quando não jogávamos bola, ficávamos na esquina da rua do Porto com a travessa do mesmo nome, jogando baralho. (21) Quando o jogo estava no melhor, passava o professor Alfredo Cunha, que também acumulava o cargo de delegado do Itaim, cuja delegacia ficava entre a casa Pais e o rink de patinação. Pegava o baralho e acabava dando uma bronca por sermos menores de idade. Não jogávamos a dinheiro, e sim por figurinhas das balas futebol. Tinha rodada que era só com figurinhas carimbadas. Oberdã, Jair, Balthazar, Carbone. Mauro, De Sordi, Julinho, Pinga, Djalma Santos e Gilmar. Seu Alfredo se abaixava e dizia para a gente. Vocês não sabem embaralhar. Eu vou ensiná-los. Pegava o baralho. Dava duas ou três embaralhadas, depois enfiava no bolso e ia embora. A família Cunha era de professores; seu Alfredo e sua esposa dona Palmira eram professores do grupo escolar Aristides de Castro que ficava na rua Joaquim Floriano, esquina com a rua Arnaldo (Urussui) bem em frente do bar Central. A filha do casal de professores Rosinha, também estudava do Aristides de Castro e se preparava para fazer o Magistério. Um dos filhos homens. Geraldo Cunha, era rádio ator das novelas da Radio São Paulo. Contracenava com Odair Marzano, Laura Cardoso e seu marido Fernando Baleroni. Já o outro filho do casal de professores , o Tito, estava num seminário estudando para padre. Quando a batina estava sendo costurada, ele saiu fora e ficou com um belo estudo, que dava para ser advogado e algo mais, diziam. Aquele pedacinho de chão me marcou muito, e deixou muita saudade.